Fazendo negócios na cidade da Beira com Jorge Fernandes

Aperto de mão durante uma reunião de negócios

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FAZENDO NEGÓCIOS NA CIDADE DA BEIRA Destaque Com o Presidente da ACB Jorge Fernandes

O mercado actual está cada vez mais competitivo. Nos dias de hoje, prestar um serviço de excelência e garantir o cumprimento das necessidades dos utentes torna-se uma necessidade estratégica de qualquer ecossistema empresarial que queira ajudar no crescimento da economia local. Ao longo dos últimos anos têm-se assistido a uma constante preocupação em torno dos serviços prestados pelas entidades empresariais, associações e empreendedores do sector empresarial um pouco por todo o nosso país; tendo a avaliação de desempenho um papel preponderante para o alcance da eficiência e eficácia nos processos empresariais, e no ecossistema empresarial local e nacional. Entretanto, para uma breve análise do sector empresarial local na cidade da Beira, o Beira Connect teve a honra de conversar com o conceituado e renomado empresário Jorge Augusto Fernandes, mais acarinhado por Jorge Fernandes no sector empresarial, onde actua a mais de 30 anos. Sendo que actualmente desempenha as funções de presidente da Associação Comercial da Beira (ACB) desde Agosto de 2017, e de empresário na área de serviços onde pelas circunstâncias e um “empurrão” da vida, viu-se em tal posição. “Muitas vezes, estudamos com a intenção de nos tornarmos empregados, noutras vezes funcionários; raramente estudamos com a intenção de nos tornarmos empresários, porque a função de empresário não é uma profissão que se aprende no banco da escola, mas sim um conjunto de momentos favoráveis que nos obrigam, nos auxiliam, ou ainda nos incentivam a tomar a atitude de entrar para o mundo dos negócios; pois a vida as vezes surpreende-nos!” Afirmou! Bom, sabemos que a chave do crescimento do ecossistema empresarial na cidade da Beira pode estar na flexibilidade e adaptabilidade dos agentes e organizações. Seja para operações do sector público, cuja actividade é prestação do serviço público, seja para organizações privadas com fins lucrativos, ou mesmo para organizações sem fins lucrativos impulsionadas pelo compromisso com uma causa em particular. Segundo o presidente da ACB, “sempre que falamos do ecossistema empresarial local temos de levar em consideração vários factores, e isto começa por analisar a característica que a cidade da Beira tem. Ora, a nossa cidade vive 80% da sua força de serviços e o resto são complementares (comércio e indústria). Mas os serviços é que dão um suporte grande na medida em que a Beira está privilegiada por estar situada na plataforma giratória que alimenta não só a zona centro e norte mas também os países do interland (Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana). Então temos de começar a ver a Beira nesse sentido, tendo em conta o facto de que o porto é o coração e o pulsar que dá sustentabilidade a outros conjuntos de serviços que surgem a volta dele, e isso faz da cidade da Beira uma cidade de serviços. Analisando outros factores, a Beira é uma cidade industrial com um parque comercial dividido em vários fragmentos e especialidades como os pequenos serviços (farmácias, lojas de produtos alimentares, talhos, sapatarias), e com tais pequenos serviços, todas aquelas regras de negócios que fazem parte desse mundo empresarial. Por isso é uma tarefa complexa desde logo, pela diversidade de agentes económicos com importância para a análise, e pela dificuldade de conjugação de interesses.

Para além destes factores, temos as dificuldades que os empresários enfrentam no seio desse ecossistema, dentro do qual tais dificuldades devem ser analisadas profundamente, pois os empresários não apareceram por si só, apareceram por uma causa, uns mais velhos e outros mais novos, e os tempos foram dando mais oportunidades a uns e menos a outros. Todavia, as oportunidades foram no geral favoráveis porque hoje toda gente que tem uma empresa, tem-na porque o negócio é rentável e dá para pagar os custos de operação e ainda sobrar “algum” como lucro para mais investimentos. Por outro lado, se analisarmos a questão das dificuldades, notaremos que em qualquer processo tudo é difícil, ou seja, não encontramos um processo que possamos dizer que é linear e que é fácil de fazer, porque o negócio de facto não é fácil de fazer. Há ainda no negócio uma particularidade, não se pode contar com a sorte, porque o fator sorte no negócio não é preponderante, o negócio é sim fruto de vários factores de orientação que ditam o sucesso ou o insucesso do mesmo. Portanto, para termos uma resposta para as dificuldades na cidade da Beira, tínhamos de imprimir esforços porque encontramo-nos em tempos diferentes do que era há 3 (três) anos. O mercado está diferente e a moeda desvalorizou-se, resultando no aumentou do custo de vida e noutros desafios. Todavia, de uma maneira geral, aqueles que cientificamente seguem a regras do negócio, defendem-se perante as dificuldades. Por outro lado, temos acompanhado a crise que se instalou no nosso sector empresarial. Pese embora as crises provoquem dificuldades, também criam oportunidades de se fazer outras coisas diferentes. Porque isto assemelha-se a estarmos habituados a passar por uma estrada e de repente fecha-se tal estrada ou condiciona-se a passagem, em tais condições, temos de arranjar alternativas para chegar ao nosso destino. A crise chegou por vários motivos, e com ela as pessoas tiveram de se reinventar, e nestas situações o empresário tem de se reinventar igualmente, de modo que não pode continuar a fazer negócios como vinha fazendo antes da crise, porque se o fizer não alcançará os objectivos. Portanto a crise depende de como nós a vimos, se é de desgraça ou de oportunidades. Mais ainda, é em épocas de crise como esta que nenhuma empresa quer cometer erro, nenhum empresário quer cometer erro. Há empresários que são mais diligentes que outros, a uns que se informam mais que outros, e a uns que se previnem mais atempadamente que outros. Porque da previsão depende a prevenção, temos de prever o que vamos fazer no ano seguinte, muito antes do fim do ano. Se nos deparamos com vento favorável ou desfavorável, temos de adaptarmo-nos às circunstâncias e prepararmo-nos para o ano seguinte.

Felizmente, hoje há muitas ferramentas a disposição, não só aquilo que a internet nos proporciona. O mundo virtual tem informação em abundância, assim como as associações empresariais que acolhem muitos seminários, cursos de aperfeiçoamento e técnicas de melhoramento. Por isso temos de estar atentos a mudanças e a oportunidades, e esse factor é um dos factores que realmente deve-se ter em causa. Existem 3 habilidades necessárias para termos um ecossistema empresarial bem-sucedido na cidade da Beira, a considerar: Primeiro, há uma condição básica que deve existir para que as coisas fluam, falo da facilitação que o governo tem de criar, as facilidades que o governo tem de dar como regulador das leis, para que as coisas fluam. Segundo, tem de haver um conjunto de condições harmoniosas para que o negócio possa fluir, refiro-me à energia, a água, as vias de acesso (porque normalmente o desenvolvimento mede-se pelos quilómetros de estradas pavimentadas ou pela quantidade de cimento vendido), e quando se vende cimento constrói-se, e ao se construir, uma série de pressupostos de agregados que desenvolvem. O terceiro ponto é um conjunto de condições de crescimento empresarial, e isto é dado através das associações, porque se os empresários não discutirem estratégias de desenvolvimento juntos, será muito difícil subir ao topo, porque duas ou três cabeças pensam melhor do que uma, e é justamente este, o espírito que deve existir. Deste modo estarão criadas as condições para que os negócios possam fluir, e um mercado saudável para receber investimentos de grandes envergaduras seja estabelecido! Porque se repararmos, a província de Sofala é a província que tem maior número de empresas de transportes, isto fruto de todo um conjunto de condições que o porto da Beira oferece, a partir das quais as pessoas são atraídas para o ramo dos transportes, o que resultou na constituição de muitas empresas ligadas a este ramo. Tomando-se por exemplo, há uns anos tínhamos crise de cimento, o mercado não tinha cimento para responder a demanda, o nível de construção era tão alto e a velocidade do crescimento era tão grande que o preço do cimento disparou e as empresas chegaram a ponto de registar rotura, contudo, foi uma fase, e passou. Assim sucessivamente, podemos olhar para a questão da banca por exemplo, queixamo-nos da questão dos juros que são altíssimos e é um facto, os juros praticados pela banca sufocam-nos, é inviável para um negociante ou empresário ir buscar dinheiro ao banco para financiamento! Porque ou arranja um artigo de rotação (compra e venda) muito rápido, e que lhe dê margem suficiente para cobrir a taxa de juros, ou terá cometido suicídio.

É por questões como estas que a ACB tem feito muita coisa no mercado local, provincial e regional, não só na formação, mas também no fortalecimento das associações, e ao fortalecer as associações fortalece aos empresários. Na organização, principalmente do sector informal, existem trabalhos muito interessantes, e com matéria suficiente para que se alargue a base tributária. Portanto isso já está tudo feito, mas e o futuro? Bom o futuro a Deus pertence. Todavia, temos sempre em perspetiva aquilo que desenvolvemos, nesta altura a ACB está na área da formação profissional, com uma plataforma muito interessante a responder aos desafios que o país têm na área, e com inclusão de várias entidades como universidades, escolas técnicas, e escolas de formação. Portanto, é um fórum que foi criado com mais de 40 entidades, que se está a projectar para aquilo que são os desafios do futuro, o que é uma mais-valia. Para além de que a ACB também acabou de criar uma agência de emprego, isto para aliar o útil ao agradável, não só a formação profissional como a colocação, pois temos noção plena das dificuldades que os jovens têm em arranjar trabalho. Assim, a ideia é aperfeiçoarmos os nossos métodos no papel que a ACB tem no contexto do ecossistema empresarial local, razão pela qual estamos a desenvolver as plataformas mencionadas. Ao ritmo em que as coisas estão a acontecer e pela forma como se estão a organizar, também julgo que daqui a 10 anos a Beira estará num patamar muito melhor do que está agora, porque temos uma série de coisas na carteira a acontecer, falo da pesquisa do gás aqui no banco de Sofala, no Búzi, que é uma realidade, falo de todo um potencial que existe na na província, não só nos recursos mineiros, como também nos recursos agrícolas e faunísticos. Portanto há uma série de factores, incluindo o turismo visto que somos privilegiados nesta província por termos o parque nacional da Gorongosa. Com todos estes factores, julgo que haverá mais agressividade a fim de que se possa atingir outros níveis de desenvolvimentos ano a ano. Também temos a nova onda de jovens empreendedores que vem surgindo no mercado com novas abordagens para o sector empresarial que é de louvar, porque é disso que o país precisa, de jovens com coragem e não aventureiros, porque quando os jovens são corajosos e organizam-se, de certeza que têm futuro. Este movimento que está a acontecer é extremamente interessante porque hoje vemos jovens organizados que atuam em várias áreas, principalmente nas tecnologias de informação que são áreas que estão em franco desenvolvimento; mas também incentivá-los que aventurem em outras áreas, porquê não juntarem-se para montar uma padaria? Isto é um exemplo, o negócio do pão é bom, toda gente come pão todos os dias. Então, as vezes a questão é que os jovens vivam um pouco mais juntos de quem já tem mais experiência, e o que eu recomendo é que fiquem atentos a aquilo que normalmente as associações põem na impressa, quando ouvirem que há uma conferência sobre um determinado tema empresarial é melhor participarem porque normalmente quem vem falar são indivíduos que tem experiência e já passaram por dificuldades; é essa a experiência que deve ser transmitida aos jovens porque ao fim de tudo são os sucessores daquilo que está a acontecer agora no nosso mercado.

Por fim, devemos saber que o foco hoje é a juventude, porque agora os jovens é que devem ser ousados, tendo ousadia tem iniciativas, tendo iniciativas vão ter reverses mas também depois vão ter proveitos, mais um ano, dois, três, quatro, e se estabilizam; e em cinco anos já são empresários, podem não ser ricos porque riqueza não cai do céu e volto a dizer não contem com a sorte. A sorte vamos deixa-la para que não nos caia um raio á cabeça ou então quando jogamos totobola ou lotaria, no mundo dos negócios vamos trabalhar. Assim foi a nossa conversa com o empresário e atual presidente da ACB Jorge Fernandes, sobre a análise do ecossistema empresarial na cidade da Beira, num momento em que são notáveis altos e baixos no mundo de negócios, que põem em causa a viabilidade dos mesmos face a crise que nos assola. Foi interessante perceber até que ponto uma dada entidade é mais, ou menos eficiente, e como estas entidades podem melhorar o seu desempenho. A análise incidiu sobre o ecossistema empresarial na cidade da Beira. Deste modo, verifica-se que as empresas pretendem cada vez mais alcançar melhores desempenhos mesmo sem disporem de condições viáveis para implementar todas as suas ideias de negócio. Por isso, existe a necessidade de agilizar e melhorar a burocracia e aspectos concernentes a lei, facilitações, etc. no ecossistema empresarial local. Por:EquipeBeiraConnect

Publicado originalmente na edição Negócios no Chiveve – Fevereiro 2018. Consultar a revista completa em PDF.