Categoria: Entrevistas

Conversas com figuras de referência.

  • Feliciano Januário: tecnologia e empreendedorismo na Beira

    Feliciano Januário: tecnologia e empreendedorismo na Beira

    EMPREENDEDOR DO MÊS NA CIDADE DA BEIRA A cada dia surgem novos empreendedores, novas empresas e novas iniciativas que causam grande impacto no mercado local. Para esta edição o Beira Connect teve o prazer de conversar com o gestor da FELUJA uma PME que vem se destacando no dia-a-dia do mundo de negócios na cidade da Beira. Acompanhe a seguir os contornos desta rica conversa. R[Resposta]: Feleciano Luís Januário é um engenheiro informático de profissão, empreendedor e visionário, de 25 anos de idade, nasceu e foi escolarizado na Beira, cidade capital da província de Sofala, em Moçambique – África, local onde vive até os dias de hoje com a sua família que lhe viu crescer. Conheça a jornada empreendedora do nosso empreendedor do mês na cidade da Beira. FelecianoJanuário FOCO Bc[BeiraConnect]: Quem é Feleciano Januário e o que faz?

    Fundador da FELUJA, empresa que oferece soluções a nível das TIC’s ao mercado Moçambicano, através de projetos sustentáveis desenvolvidos na empresa, com um impacto positivo na sociedade. Delegado da Associação Nacional de Jovens Empresários de Moçambique (ANJE) para província de Sofala, co-fundador do programa Conexão Empreendedor e membro da comissão Zona da iniciativa HUB LINK. BC: O que lhe motivou a ser empreendedor? R:A motivação surgiu pela necessidade de querer tornar sustentável os projectos que surgiram a partir das pesquisas feitas. BC: O que é ser um empreendedor para si? R: Acredito que ser empreendedor é um estilo de vida que alguém pode adoptar ou um perfil pelo qual a pessoa pode se mergulhar, para trazer criatividade e ou inovação em um mercado não muito explorado pelo modelo de negócio adoptado, quer seja implementado dentro de uma organização (por colaboradores) ou fora (por agentes externos a corporação). BC: Fale-nos da FELUJA? R: FELUJA é uma marcar reservada da FELUJA, EI que é uma empresa de direito Moçambicano, constituída após dois anos de estudo e observação exaustiva da realidade em concordância com o comportamento dos dados estatísticos. Na FELUJA nós desenvolvemos soluções a nível de software para organizações e ou instituições com impacto social. Em 2016 a FELUJA colocou no mercado um dos seus serviços (FELUJA SDF) associado a plataforma web (sdf.feluja.co.mz) para garantir a segurança dos documentos físicos e em especial os Certificados, este serviço é uma mais-valia para as organizações que emitem certificados tornando-as inovadoras e com um potencial de competitividade muito elevado pelo serviço de excelência oferecido. Nós acreditamos que o serviço FELUJA SDF traz um olhar diferente para Protecção de Certificados através da solução implementada neste serviço a nível das TIC’s. Em 2018 a FELUJA colocou no mercado outro serviço (FELUJA SMS) associado a plataforma web (grilo.feluja.co.mz), para agendar o envio de torpedos por SMS. Três áreas estratégicas de atuação foram desenhadas para FELUJA, que são informática (soluções a nível das TIC’s), eventos (aluguer de equipamentos), publicidade (anúncios). BC:O que faz a FELUJA uma empresa diferente? R: Estamos na Beira como qualquer outra empresa, porem acreditamos que podemos fazer mais do que fornecer produtos e serviços ao mercado, por este motivo temos apoiado diversas iniciativas locais com impacto na sociedade local, assim como algumas comunidades de desenvolvimento

    É MITO DIZER QUE SEM UM CAPITAL INICIAL, NÃO TEM COMO SER EMPREENDEDO R NA CIDADE DA BEIRA. de softwares. Aprendemos diariamente com os resultados obtidos pelas experiências dos nossos Stakeholders e Clientes, e no uso dos nossos produtos e serviços. Isto permite-nos melhorar nossos processos, atendimento ao cliente e solucionar insatisfação atempadamente. BC: Como é que consegue conquistar novos clientes? R:Conseguimos angariar novos clientes através das recomendações e estratégias de marketing. Em estratégias de marketing citarei alguns dos exemplos de implementação: Meios de Comunicação digital (Facebook, Instagram, Google Maps, Google Plus, Google Search, Whatsapp, LinkedIn, Websites, Blogue, Email e SMS Marketing, etc); Participação em eventos Tecnológicos e ou de Empreendedorismo (Feiras, Workshops, Business Networking, Conferências, etc); FELICIANO JANUÁRIO

    BC: Como encara a concorrência? R: Encaramos a concorrência como um meio para aprendermos diferentes abordagens de entrega de produtos ou serviços e a forma como estes se apresentam ao consumidor final. Procuramos proporcionar às organizações uma óptima experiência dos nossos produtos e serviços de um modo competitivo para os padrões do mercado. BC: Na sua opinião, quais acha que são os desafios do empreendedor na Cidade da Beira? R: Acredito que um dos maiores desafios do empreendedor na Cidade da Beira, está na estratégia de implementação do seu negócio. Na minha opinião, é mito dizer que sem capital inicial não é possível ser empreendedor na Cidade da Beira. BC: Quais são os maiores desafios que a sua empresa enfrenta no seu dia-a-dia? R:Sim, vale a pena ser empreendedor na Cidade da Beira, acredito que haja muita escassez de criatividade, atitude e espírito de ousadia nos jovens empreendedores, especialmente por estarmos numa cidade onde as políticas macroeconómicas são favoráveis para um empreendedor poder criar, inovar e desfrutar-se em mercados ainda pouco explorados. R:Primeiro, aprender com o estudo e a experiência; segundo, honestidade e responsabilidade. BC: Será que vale a pena ser empreendedor na Cidade da Beira? R:Acreditamos que a migração digital é inevitável, temos trabalhado arduamente na consciencialização dos nossos clientes e stakeholders para aderirem ao mundo digital, sobre a importância de soluções tecnológicas que reduzem tempo nos processos com visão heurística que contribuem para um desenvolvimento exponencial da organização e as tornem mais competitivos. Não obstante, temos mais desafios por encarar dia-a-dia, porque a cada nova solução tecnológica introduzida no mercado por nossa equipe, há uma necessidade diária em alterar a consciência dos usuários fazendo com que eles não resistam as mudanças que as novas soluções tecnológicas apresentam. BC: Qual é a chave do sucesso pra si? BC: Quais são os planos da sua empresa para o futuro? R: Ser uma empresa de referência na qualidade e eficiência dos serviços implementados a nível nacional, líder na segurança dos documentos físicos e na protecção dos certificados das organizações ou instituições. BC: Que conselho tem para os empreendedores na Cidade da Beira? R:Aconselho aos jovens e aos futuros empreendedores, a acreditarem em Deus, nos seus negócios, e a terem fé que tudo que sonham é possível realizar, desde que seja viável a sua implementação.

    R:Agradeço a Deus por estar comigo nos bons e maus momentos, me encorajando e direcionando em tudo que tenho feito. Agradeço a minha família em particular, aos meus amigos, colaboradores, parceiros e clientes no geral por depositarem a sua confiança e por acreditarem como eu acredito, num Moçambique melhor e livre de falsificadores de Certificados. Por fim, agradeço também ao Beira Connect pela entrevista maravilhosa que me fez voltar ao passado e enxergar a longa trajetória percorrida pela FELUJA. BC: Últimas Palavras. Assim foi mais uma conversa com o empreendedor do mês, o Feliciano Januário, e desejamos-lhe muito sucesso e que consiga atingir seus objectivos e realizar seus sonhos. FELICIANOJANUÁRIO Por:EquipeBeiraConnect

    Publicado originalmente na edição Negócios no Chiveve – Maio 2018. Consultar a revista completa em PDF.

  • Empoderamento económico feminino com Maria Pinto de Sá

    Empoderamento económico feminino com Maria Pinto de Sá

    EMPODERAMENTO Com Maria Pinto de Sá Presidente da Casa do Artista D E S T A Q U E ECONÓMICO FEMININO NACIDADEDABEIRA

    A história não foi muito amiga das mulheres. E hoje, sabemos lidar com a inteligência no feminino e racionalmente lutar para desenvolvêla e coloca-la em acção histórica? Votamos tantas leis que as protegem, como professoras são responsáveis pela educação de crianças e adolescentes, têm direitos e deveres, têm liberdade de decidir a sua sorte, traçar o seu caminho, e o mercado está cada vez mais aberto e globalizado. Para entender essa mudança do mercado o Beira Connect teve o prazer de conversar com a Maria Pinto de Sá, presidente da Casa do Artista, uma associação cultural sem fins lucrativos, e um bem pertencente a sociedade civil no geral, independentemente dos membros fundadores que a constituem ao mais alto nível organizacional. Aos 16 anos já fazia parte de um importante grupo de teatro na então cidade de Lourenço Marquês (actual Maputo), o teatro de amadores de Lourenço Marquês, e aos 23 anos consegui o meu primeiro emprego como jornalista numa revista que era contra o regime colonial e que teve um importante papel para a libertação de Moçambique. Mais tarde em 1977, trabalhei por 1 ano na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), onde estava a frente da biblioteca dos centros de estudos africanos e duma série de sectores que trabalhavam para, ou estavam ligados à universidade, portanto, era o centro de documentação da universidade. Naquele ano havia muita falta de professoras, pelo que pediram-me para dar aulas e assim o fiz, estive a dar aulas de português e de desenho na Josina Machel. Mesmo na Josina Machel eu era responsável pelo departamento de Cultura na direcção, portanto, continuei ligada à cultura. Também trabalhei na TVM em programas culturais; nessa altura trabalhei com Mia Couto num programa humorístico chamado “Tele Rir”, onde ele escrevia os textos e eu como actriz os interpretava. Foi um trabalho muito interessante, criticávamos com muito humor e muita brincadeira os erros que nós mesmos cometíamos em televisão. Acredito que a mensagem chega com mais leveza quando transmitida com humor, pois não há zangas, não há mal entendidos; através do humor pode se transmitir mensagens muito directas sem que as pessoas visadas sintam-se ofendidas. Daí que usamos este meio para levar a cabo críticas sociais. Contudo, nunca deixei o teatro, paralelamente a essas actividades continuava com o teatro. “Sou uma mulher que desde miúda os pais incentivaram a gostar da arte e a preocupar-se com problemas e questões culturais.

    Também trabalhei num grupo fundador de uma associação cultural que teve uma grande importância a nível cultural em Maputo, o grupo “Txova-Xitaduma”, que significa empurre que pega traduzido para o português (a ver se o retro pega), e realmente pegou. Também apresentei muitas peças, ganhei prémios, e era tão super-activa que quando houve uma onda de rescisões no grupo, eu fiquei na liderança de um dos grupos. Por iniciativa própria, também criei grupos de teatro a nível das empresas e escolas, foi uma coisa muito interessante trabalhar começando do zero. Mais interessante foi ver um grupo de trabalhadores que depois do seu trabalho, da sua jornada laboral, queriam lá (no trabalho) permanecer porque queriam apresentar uma peça teatral. Hoje em dia é muito difícil! Acredito que hoje, também não conseguiria começar do zero. Não obstante, foi muito gratificante, guardo muito boas memórias daqueles tempos. Mais tarde a rádio Moçambique pediu-me para dirigir o sector de teatro e literatura, foi então que deixei a educação e fui continuar com o meu trabalho, sempre ligado à cultura, onde estive por muitos anos até 1990, o ano em que vim para a cidade da Beira. Então tenho toda uma vida nisso, ou seja, tenho o privilégio de poder fazer aquilo de que gosto. Hoje olhando para a questão do empoderamento feminino em Moçambique, penso que duma forma geral, a nível do governo tem-se dado uma grande importância a mulher. Podemos ver o número de ministras e vice-ministras que este governo tem, não é! A nível de empresas também, mesmo cá na Beira não há nenhuma barreira em contratar mulheres. Acho é que se uma mulher tem a mesma competência que um homem, é evidente que a mulher está igualmente qualificada para exercer determinada actividade. Por uma razão histórica durante muito tempo a mulher não teve acesso ao ensino. Ainda hoje, em sociedades tradicionais a mulher é vista como um ser inferior. Portanto, penso que se os dois (o homem e a mulher) tiverem a mesma competência, o mesmo valor se deve dar a mulher. Ela tem de se impor pelas suas qualidades.

    Tem de se impor pelo seu valor; não tem de andar por ai a pedir favores a ninguém, essa é a forma para dar visibilidade ao seu crescimento. Pelo menos dentro da minha associação é bem-vinda qualquer pessoa que tenha competência. Porque eu não gosto muito, <não gosto mesmo> do Feminismo. Lá porque é mulher que gera um filho, porque é mulher que aguenta com isto e aquilo…, é o máximo?! E quanto ao homem? Eu não gosto desse tipo de descriminação, <porque no fundo isso acaba por ser uma descriminação.> Agora, fico muito feliz em ver que há jovens mulheres com capacidades, e são bem-vindas aqui na casa do artista pelas competências que têm. Até porque trabalho muito com mulheres, mas mulheres competentes. E também trabalhamos com projectos e parcerias. E é muito interessante porque por exemplo, dentre as parcerias temos algumas associações que têm a mulher na frente e neste momento estou a trabalhar num projecto com o MASC, uma fundação que tem a ver com cidadania, e lá estou a trabalhar com 4 mulheres. Somos apenas mulheres, e isso dá um prazer muito grande. Todavia, não há aqui nenhum pacote especial para mulheres ou para homens mas sim para os que mostram competência e capacidades, só para vermos, somos 10 sócios fundadores, e a maioria são homens, no total de 10 somos apenas 3 mulheres, e ninguém foi escolhido, associou-se quem quis. Não temos aqui trabalhadores, são sócios fundadores que até muitos deles nem cá aparecem porque não estão na Beira, como por exemplo o próprio ministro da cultura que é sócio fundador desta associação mas não está cá, e outros sócios que têm outras tarefas para além da casa do artista. Então acho que de uma maneira geral a mulher tem muita capacidade para gerir, o que ajuda no seu crescimento no mundo dos negócios e no seu empoderamento. E também temos o grande aliado que é o mercado local que abre espaço para mulheres. Porque se formos analisar, o grande problema não está nas empresas, não está no governo, não está no criar alguma barreira na mulher, o grande problema está na cabeça de alguns homens que em sua casa tratam mal as mulheres, no emprego tentam o assédio porque a sociedade, e não só a sociedade moçambicana, não só a africana, mas toda a sociedade especialmente a dos países latinos, o homem é o macho, é o “super-macho”! Isso é que temos de combater impondo-nos com vigor. Claro que é muito difícil ultrapassar isto, porque se a mulher está por exemplo economicamente dependente do homem como é que ela se pode impor? Vai gritar com o homem? Se o fizer vai sair de casa e não terá meios de sobrevivência. Vai viver mal, ou vai ter de arranjar uma alternativa terrível para conseguir sobreviver. Portanto, o conselho que eu dou sempre, é de que estudem. Embora, muitas vezes quando se dá conselhos aos jovens nunca ouvem. Eu também já fui jovem e não ouvia. Mas sem dúvidas, quem tem o privilegio de poder estudar, especialmente as mulheres que tiverem essa oportunidade, agarrem com unhas e dentes porque só assim é que podem ultrapassar os maus tratos dos homens e terem

    possibilidades de se manterem economicamente e se autossustentarem Existem muitas dificuldades para se engrenar no mundo dos negócios no nosso país. Porém, a grande dificuldade em abrir um negócio não tem a ver com o ser homem ou ser mulher, tem a ver com burocracia. A quantidade de papéis absurdos que são exigidos, despachados sem sequer terem sido lidos, <disso eu sei>, casos concretos aconteceram comigo. Essa é que é a grande questão. Agora, eu não concordo quando diz que a mulher não tem a mesma capacidade que o homem tem para abrir negócios, ela tem. Vou dar um exemplo concreto, eu tinha a minha melhor amiga que infelizmente já não faz parte deste mundo, ela era uma pessoa incrível que tinha uma capacidade de fazer dinheiro, uma capacidade incrível digo, lembro-me de que uma vez ela disse que queria ganhar dinheiro, queria ser rica! E ao fim de 3 meses estava a facturar 80 mil dólares por mês. Ela do nada criou uma empresa e era representante de pilhas Duracell e do produto gilete em Maputo, ela facturava 80 mil dólares por mês. Bom, a riqueza nem sempre traz felicidade, infelizmente ela morreu por suicídio. Isto para dizer que não é por ser homem ou mulher. Há pessoas que tem esse fim de fazer dinheiro, eu por exemplo não sei se tenho esse dom, nunca me meti num negócio para ganhar dinheiro. Eu não sou menina grande amante de dinheiro, não sou uma lutadora nessa área, sou uma empreendedora em fazer coisas de que gosto. Eu não paro. Vivo a cultura!. As pessoas questionaram a minha vontade e sonho de reconstituir as ruínas da casa do artista, mas eu disse eu quero, eu tenho fé e vou conseguir, eis que consegui. Claro que temos sempre um degrau por subir, nunca cruzo os braços. O que quero agora é conseguir mais espaço por cá (Beira), preciso de espaço físico para dar aulas na área de artes plásticas e da dança, e vou conseguir. Isso é o que eu acho que é ser empreendedor, não só a nível de ganhar dinheiro. Ver o ecossistema empresarial local daqui a 5 anos é difícil porque depende de muita coisa, não é! Depende da situação política, e nós não sabemos o que o dia de amanhã nos guarda. Eleições, qualquer partido pode perder ou ganhar e tudo isto pode mudar completamente o destino do país. Então é muito difícil, em 5 anos muita coisa pode acontecer. Isso tudo condiciona a questão económica. Todavia, acredito que daqui a 5 anos estaremos mais desenvolvidos economicamente do que estamos hoje, e espero bem que sim.

    Para finalizar deixo aqui conselhos para as mulheres que pretendem empreender, o primeiro ponto para mim é a honestidade, eu tenho muito orgulho em dizer que nesta associação onde estamos, a casa do artista, que consegui porque nunca na minha vida desviei 1 centavo que fosse para outros fins, isso dá-nos credibilidade. Antes de tudo eu detesto pedir, e disso gostam em mim! A política não dá mão estendida não. Outro Conselho é termos uma folha absolutamente branca sem nada que manche o nosso nome em relação a corrupções ou negócios obscuros. Nisso eu tenho muito orgulho, não tenho, e nunca fiz nada de desonesto em relação ao dinheiro que me pudesse arrepender. Esta reabilitação da casa do artista custou 1 milhão de dólares e não falta 1 centavo sequer neste dinheiro. Tenho tudo registado, tudo limpo. Isto é o que aconselho, não entrem em negócios obscuros. Sejam rigorosamente honestas consigo mesmas e com os outros. Assim foi a conversa sobre o empoderamento feminino com a experiente e inspiradora Maria Pinto de Sá. E ficou o essencial, hoje faz-se necessária a competência, e competência competitiva, para navegar em um universo globalizado e aberto que hoje vivemos. Competência competitiva para ser auto sustentável, independentemente do nosso género ou de quanto recebemos de salário. Só assim teremos a condição sine qua non (sem a qual não) para ganhar independência económica, para viver em segurança e em liberdade. Ora, na antiguidade as mulheres eram tidas como infantis, hoje não há espaço para isso, e tampouco os homens estão dispostos a sustentar as “mulheres modernas”. Elas não precisam pedir, porque podem construir a sua grandeza feminina. Por:EquipeBeiraConnect

    Publicado originalmente na edição Negócios no Chiveve – Março 2018. Consultar a revista completa em PDF.

  • Delfina Nogueira: trabalho, responsabilidade e humildade

    Delfina Nogueira: trabalho, responsabilidade e humildade

    EMPREENDEDORA DO MÊS Neste mês dedicado à mulher, nada melhor do que falarmos de negócios com mulheres que entendem de negócios. Desta feita, a nossa equipe teve uma conversa com uma empreendedora e fundadora da Escola Primária Palmo e Meio, onde nos conta sobre a força da mulher empreendedora. Acompanhe a entrevista abaixo e descubra o que ela tem a partilhar. BC [Beira Connect]: Qual é o seu nome e o que faz? R [Resposta]: Chamo-me Delfina Nogueira, Beirense, filha duma “Sofalence” e dum Zambeziano, formada em ensino de História pela Universidade Pedagógica, actualmente exerço as funções de directora da Escola Primária Palmo e Meio. BC: A quanto tempo actua no ramo da educação? R: Comecei com a educação pré-escolar a 5 anos, e neste ano (2018) introduzi o ensino primário (1ª – 5ª classe). BC: O que a motivou a abraçar essa área? R: Primeiro porque sou professora de profissão e gosto de crianças, e segundo porque ao longo da minha carreira profissional fui experimentando varias áreas como a administração, a logística, as finanças e também trabalhei para um centro de formação profissional onde geria um centro de formação que tinha 12 departamentos de ensino (construção civil, mecânica, serrilharia, corte e costura, educação de infância, culinária etc..). Então, depois disso senti-me com capacidades de abrir a minha própria empresa fazendo aquilo que realmente gosto, educar e lidar com crianças.

    BC: Sendo formada em história, sente que esta formação ajuda-lhe no trabalho que faz? R: Sim, porque a história abre a nossa mente. Com a história temos a capacidade de conhecer o mundo, não estando presente em todos locais, acontecimentos ou tempo, mas sim através dos livros; de uma certa maneira, a formação em História ajudou-me a encarar a minha iniciativa com optimismo. BC: Conte-nos como é que tem sido o seu dia-a-dia como empreendedora? R: Bom, o meu dia-a-dia tem sido normal como qualquer empreendedora. Tenho dificuldades, mas o meu lema é persistir, insistir e nunca desistir. BC: Quais são as principais dificuldades que tem enfrentado nesse trabalho e também na vida social? R: As dificuldades são várias mas eu adoptei uma gestão ou liderança participativa, ou seja, não sou chefe mas sim líder. Partilho os problemas com os meus colaboradores, daí que fica mais leve gerir a empresa pois todos participam naquilo que são os problemas e naquilo que são as alegrias. Então, tenho problemas como qualquer mulher tem na gestão de uma empresa, mas eu sinto que os meus problemas por serem compartilhados pela minha equipe acabam tornando-se suaves. BC: Sente que os seus colaboradores gostam de si? Se sim, qual é o segredo? R: Sinto que sim, gostam, sou a “mom” deles. O segredo? Na verdade o segredo para ser gestora é sem dúvida muito trabalho, tem de se trabalhar muito, tem de se ter muita responsabilidade, muita honestidade e acima de tudo muita simplicidade e humildade.

    BC: Sendo empreendedora, como tem sido a sua convivência na sociedade e na família? R: Não mudou nada. Eu sou aquela simples menina que se transformou hoje em senhora, igualmente simples; continuo a mesma, nada mudou; alias o que mudou são apenas as responsabilidades, e a minha família encara esse meu lado com muito carinho, pois alguns elementos da minha família também empreendem, os meus irmãos por exemplo, embora em áreas diferentes. Então é um bocadinho facilitado porque quando estamos juntos a conversa é sobre como gerir, como inovar, etc. partilhamos as tristezas e as alegrias dos nossos negócios. BC: É dona da Escola Primária Palmo e Meio e lida com crianças todos os dias! Conte-nos essa experiência. R: Não é fácil, é um trabalho de muita responsabilidade. Mas porque conto com o apoio de profissionais de qualidade não tem sido muito complicado, também porque gosto de crianças o trabalho torna-se facilitado. BC: O que torna a Escola Primária Palmo e Meio diferente das outras? R: Bom, não posso dizer que sou melhor que as outras donas de escolas, mas eu pauto por uma prestação de serviços de qualidade e diferenciados na área pedagógica, incutindo valores humanos universais (respeito, honestidade, tolerância, responsabilidade etc.), motivada também pelo facto de a sociedade dar primazia aos aspectos técnicos em detrimento da ética (valores). A nossa sociedade tem grandes Engenheiros, muitos Doutores e Mestres com dificuldades de “saber ser e estar”; esta situação entristece-me, penso que a diferença está ai. A Escola pretende também formar a criança para a vida, torcendo o pepino o quanto cedo. BC: Está satisfeita com o estado actual do envolvimento da mulher no mundo dos negócios? Sim/Não, porquê? R: Sim. Olhando para a cidade da Beira nós temos muitas mulheres a empreender e a nível nacional também, portanto estou satisfeita. Além do mais, não comungo com a ideia de que a mulher não tem capacidade, porque não há diferença entre homens e mulheres na gestão de uma empresa, temos todos a mesma capacidade, alias, está comprovado que quanto mais mulheres tivermos na gestão de uma determinada empresa, mais eficiente, mais eficaz é tal empresa. Porque a mulher tem uma visão geral aliada a sensibilidade, ela é capaz de pensar como uma atitude dela dentro da empresa pode afetar a parte social da própria empresa e consequentemente o ambiente geral. Ela está naturalmente treinada para isto. Ela também tem uma capacidade muito grande de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, ser multifacetada. Estas características são um diferencial para o sucesso feminino. Então, estamos num bom caminho! BC: Qual é a chave do sucesso para si? R: Trabalho, muito trabalho, aliado à responsabilidade e humildade.

    BC: Suas metas daqui a 5 anos? R: Daqui a 5 anos a minha meta é de que a escola seja reconhecida a nível da província como uma escola que pauta por serviços de qualidade e que seja capaz de resgatar alguns, (pelo menos alguns) valores perdidos, obviamente às crianças que passarem pelo Palmo e Meio, então quero deixar esse legado, de ter sido a escola que resgatou valores perdidos e ter contribuído para o desenvolvimento cognitivo das nossas crianças. BC: Conselhos para mulheres que pretendem entrar no mundo dos negócios. R: Nunca desistam dos seus sonhos. Não é necessário ter um capital volumoso para começar um negócio, pode começar com o pouco que tiver, mas nunca deve perder o foco, insista, que um dia chega lá. Porque é possível sim, é só mais uma “tarefa” que você deve colocar na sua agenda, sabemos que você dá conta. Mulheres sempre arranjam tempo e dão jeito para tudo, não é? Tem muito espaço em Moçambique para empreender e a hora é agora. Com a força e determinação da mulher, ninguém nos segura [Risos]. Para finalizar, aproveito desejar a toda mulher moçambicana festas felizes. Assim foi a nossa conversa com a empreendedora do mês Delfina Nogueira, desejamos-lhe sucessos nessa jornada e que torne a os seus sonhos em realidade e legado. Porque Ser empreendedora não é ser gigante. Ser empreendedora é realizar o seu sonho – não importa o tamanho dele. Por:EquipeBeiraConnect

    Publicado originalmente na edição Negócios no Chiveve – Março 2018. Consultar a revista completa em PDF.

  • Fazendo negócios na cidade da Beira com Jorge Fernandes

    Fazendo negócios na cidade da Beira com Jorge Fernandes

    FAZENDO NEGÓCIOS NA CIDADE DA BEIRA Destaque Com o Presidente da ACB Jorge Fernandes

    O mercado actual está cada vez mais competitivo. Nos dias de hoje, prestar um serviço de excelência e garantir o cumprimento das necessidades dos utentes torna-se uma necessidade estratégica de qualquer ecossistema empresarial que queira ajudar no crescimento da economia local. Ao longo dos últimos anos têm-se assistido a uma constante preocupação em torno dos serviços prestados pelas entidades empresariais, associações e empreendedores do sector empresarial um pouco por todo o nosso país; tendo a avaliação de desempenho um papel preponderante para o alcance da eficiência e eficácia nos processos empresariais, e no ecossistema empresarial local e nacional. Entretanto, para uma breve análise do sector empresarial local na cidade da Beira, o Beira Connect teve a honra de conversar com o conceituado e renomado empresário Jorge Augusto Fernandes, mais acarinhado por Jorge Fernandes no sector empresarial, onde actua a mais de 30 anos. Sendo que actualmente desempenha as funções de presidente da Associação Comercial da Beira (ACB) desde Agosto de 2017, e de empresário na área de serviços onde pelas circunstâncias e um “empurrão” da vida, viu-se em tal posição. “Muitas vezes, estudamos com a intenção de nos tornarmos empregados, noutras vezes funcionários; raramente estudamos com a intenção de nos tornarmos empresários, porque a função de empresário não é uma profissão que se aprende no banco da escola, mas sim um conjunto de momentos favoráveis que nos obrigam, nos auxiliam, ou ainda nos incentivam a tomar a atitude de entrar para o mundo dos negócios; pois a vida as vezes surpreende-nos!” Afirmou! Bom, sabemos que a chave do crescimento do ecossistema empresarial na cidade da Beira pode estar na flexibilidade e adaptabilidade dos agentes e organizações. Seja para operações do sector público, cuja actividade é prestação do serviço público, seja para organizações privadas com fins lucrativos, ou mesmo para organizações sem fins lucrativos impulsionadas pelo compromisso com uma causa em particular. Segundo o presidente da ACB, “sempre que falamos do ecossistema empresarial local temos de levar em consideração vários factores, e isto começa por analisar a característica que a cidade da Beira tem. Ora, a nossa cidade vive 80% da sua força de serviços e o resto são complementares (comércio e indústria). Mas os serviços é que dão um suporte grande na medida em que a Beira está privilegiada por estar situada na plataforma giratória que alimenta não só a zona centro e norte mas também os países do interland (Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana). Então temos de começar a ver a Beira nesse sentido, tendo em conta o facto de que o porto é o coração e o pulsar que dá sustentabilidade a outros conjuntos de serviços que surgem a volta dele, e isso faz da cidade da Beira uma cidade de serviços. Analisando outros factores, a Beira é uma cidade industrial com um parque comercial dividido em vários fragmentos e especialidades como os pequenos serviços (farmácias, lojas de produtos alimentares, talhos, sapatarias), e com tais pequenos serviços, todas aquelas regras de negócios que fazem parte desse mundo empresarial. Por isso é uma tarefa complexa desde logo, pela diversidade de agentes económicos com importância para a análise, e pela dificuldade de conjugação de interesses.

    Para além destes factores, temos as dificuldades que os empresários enfrentam no seio desse ecossistema, dentro do qual tais dificuldades devem ser analisadas profundamente, pois os empresários não apareceram por si só, apareceram por uma causa, uns mais velhos e outros mais novos, e os tempos foram dando mais oportunidades a uns e menos a outros. Todavia, as oportunidades foram no geral favoráveis porque hoje toda gente que tem uma empresa, tem-na porque o negócio é rentável e dá para pagar os custos de operação e ainda sobrar “algum” como lucro para mais investimentos. Por outro lado, se analisarmos a questão das dificuldades, notaremos que em qualquer processo tudo é difícil, ou seja, não encontramos um processo que possamos dizer que é linear e que é fácil de fazer, porque o negócio de facto não é fácil de fazer. Há ainda no negócio uma particularidade, não se pode contar com a sorte, porque o fator sorte no negócio não é preponderante, o negócio é sim fruto de vários factores de orientação que ditam o sucesso ou o insucesso do mesmo. Portanto, para termos uma resposta para as dificuldades na cidade da Beira, tínhamos de imprimir esforços porque encontramo-nos em tempos diferentes do que era há 3 (três) anos. O mercado está diferente e a moeda desvalorizou-se, resultando no aumentou do custo de vida e noutros desafios. Todavia, de uma maneira geral, aqueles que cientificamente seguem a regras do negócio, defendem-se perante as dificuldades. Por outro lado, temos acompanhado a crise que se instalou no nosso sector empresarial. Pese embora as crises provoquem dificuldades, também criam oportunidades de se fazer outras coisas diferentes. Porque isto assemelha-se a estarmos habituados a passar por uma estrada e de repente fecha-se tal estrada ou condiciona-se a passagem, em tais condições, temos de arranjar alternativas para chegar ao nosso destino. A crise chegou por vários motivos, e com ela as pessoas tiveram de se reinventar, e nestas situações o empresário tem de se reinventar igualmente, de modo que não pode continuar a fazer negócios como vinha fazendo antes da crise, porque se o fizer não alcançará os objectivos. Portanto a crise depende de como nós a vimos, se é de desgraça ou de oportunidades. Mais ainda, é em épocas de crise como esta que nenhuma empresa quer cometer erro, nenhum empresário quer cometer erro. Há empresários que são mais diligentes que outros, a uns que se informam mais que outros, e a uns que se previnem mais atempadamente que outros. Porque da previsão depende a prevenção, temos de prever o que vamos fazer no ano seguinte, muito antes do fim do ano. Se nos deparamos com vento favorável ou desfavorável, temos de adaptarmo-nos às circunstâncias e prepararmo-nos para o ano seguinte.

    Felizmente, hoje há muitas ferramentas a disposição, não só aquilo que a internet nos proporciona. O mundo virtual tem informação em abundância, assim como as associações empresariais que acolhem muitos seminários, cursos de aperfeiçoamento e técnicas de melhoramento. Por isso temos de estar atentos a mudanças e a oportunidades, e esse factor é um dos factores que realmente deve-se ter em causa. Existem 3 habilidades necessárias para termos um ecossistema empresarial bem-sucedido na cidade da Beira, a considerar: Primeiro, há uma condição básica que deve existir para que as coisas fluam, falo da facilitação que o governo tem de criar, as facilidades que o governo tem de dar como regulador das leis, para que as coisas fluam. Segundo, tem de haver um conjunto de condições harmoniosas para que o negócio possa fluir, refiro-me à energia, a água, as vias de acesso (porque normalmente o desenvolvimento mede-se pelos quilómetros de estradas pavimentadas ou pela quantidade de cimento vendido), e quando se vende cimento constrói-se, e ao se construir, uma série de pressupostos de agregados que desenvolvem. O terceiro ponto é um conjunto de condições de crescimento empresarial, e isto é dado através das associações, porque se os empresários não discutirem estratégias de desenvolvimento juntos, será muito difícil subir ao topo, porque duas ou três cabeças pensam melhor do que uma, e é justamente este, o espírito que deve existir. Deste modo estarão criadas as condições para que os negócios possam fluir, e um mercado saudável para receber investimentos de grandes envergaduras seja estabelecido! Porque se repararmos, a província de Sofala é a província que tem maior número de empresas de transportes, isto fruto de todo um conjunto de condições que o porto da Beira oferece, a partir das quais as pessoas são atraídas para o ramo dos transportes, o que resultou na constituição de muitas empresas ligadas a este ramo. Tomando-se por exemplo, há uns anos tínhamos crise de cimento, o mercado não tinha cimento para responder a demanda, o nível de construção era tão alto e a velocidade do crescimento era tão grande que o preço do cimento disparou e as empresas chegaram a ponto de registar rotura, contudo, foi uma fase, e passou. Assim sucessivamente, podemos olhar para a questão da banca por exemplo, queixamo-nos da questão dos juros que são altíssimos e é um facto, os juros praticados pela banca sufocam-nos, é inviável para um negociante ou empresário ir buscar dinheiro ao banco para financiamento! Porque ou arranja um artigo de rotação (compra e venda) muito rápido, e que lhe dê margem suficiente para cobrir a taxa de juros, ou terá cometido suicídio.

    É por questões como estas que a ACB tem feito muita coisa no mercado local, provincial e regional, não só na formação, mas também no fortalecimento das associações, e ao fortalecer as associações fortalece aos empresários. Na organização, principalmente do sector informal, existem trabalhos muito interessantes, e com matéria suficiente para que se alargue a base tributária. Portanto isso já está tudo feito, mas e o futuro? Bom o futuro a Deus pertence. Todavia, temos sempre em perspetiva aquilo que desenvolvemos, nesta altura a ACB está na área da formação profissional, com uma plataforma muito interessante a responder aos desafios que o país têm na área, e com inclusão de várias entidades como universidades, escolas técnicas, e escolas de formação. Portanto, é um fórum que foi criado com mais de 40 entidades, que se está a projectar para aquilo que são os desafios do futuro, o que é uma mais-valia. Para além de que a ACB também acabou de criar uma agência de emprego, isto para aliar o útil ao agradável, não só a formação profissional como a colocação, pois temos noção plena das dificuldades que os jovens têm em arranjar trabalho. Assim, a ideia é aperfeiçoarmos os nossos métodos no papel que a ACB tem no contexto do ecossistema empresarial local, razão pela qual estamos a desenvolver as plataformas mencionadas. Ao ritmo em que as coisas estão a acontecer e pela forma como se estão a organizar, também julgo que daqui a 10 anos a Beira estará num patamar muito melhor do que está agora, porque temos uma série de coisas na carteira a acontecer, falo da pesquisa do gás aqui no banco de Sofala, no Búzi, que é uma realidade, falo de todo um potencial que existe na na província, não só nos recursos mineiros, como também nos recursos agrícolas e faunísticos. Portanto há uma série de factores, incluindo o turismo visto que somos privilegiados nesta província por termos o parque nacional da Gorongosa. Com todos estes factores, julgo que haverá mais agressividade a fim de que se possa atingir outros níveis de desenvolvimentos ano a ano. Também temos a nova onda de jovens empreendedores que vem surgindo no mercado com novas abordagens para o sector empresarial que é de louvar, porque é disso que o país precisa, de jovens com coragem e não aventureiros, porque quando os jovens são corajosos e organizam-se, de certeza que têm futuro. Este movimento que está a acontecer é extremamente interessante porque hoje vemos jovens organizados que atuam em várias áreas, principalmente nas tecnologias de informação que são áreas que estão em franco desenvolvimento; mas também incentivá-los que aventurem em outras áreas, porquê não juntarem-se para montar uma padaria? Isto é um exemplo, o negócio do pão é bom, toda gente come pão todos os dias. Então, as vezes a questão é que os jovens vivam um pouco mais juntos de quem já tem mais experiência, e o que eu recomendo é que fiquem atentos a aquilo que normalmente as associações põem na impressa, quando ouvirem que há uma conferência sobre um determinado tema empresarial é melhor participarem porque normalmente quem vem falar são indivíduos que tem experiência e já passaram por dificuldades; é essa a experiência que deve ser transmitida aos jovens porque ao fim de tudo são os sucessores daquilo que está a acontecer agora no nosso mercado.

    Por fim, devemos saber que o foco hoje é a juventude, porque agora os jovens é que devem ser ousados, tendo ousadia tem iniciativas, tendo iniciativas vão ter reverses mas também depois vão ter proveitos, mais um ano, dois, três, quatro, e se estabilizam; e em cinco anos já são empresários, podem não ser ricos porque riqueza não cai do céu e volto a dizer não contem com a sorte. A sorte vamos deixa-la para que não nos caia um raio á cabeça ou então quando jogamos totobola ou lotaria, no mundo dos negócios vamos trabalhar. Assim foi a nossa conversa com o empresário e atual presidente da ACB Jorge Fernandes, sobre a análise do ecossistema empresarial na cidade da Beira, num momento em que são notáveis altos e baixos no mundo de negócios, que põem em causa a viabilidade dos mesmos face a crise que nos assola. Foi interessante perceber até que ponto uma dada entidade é mais, ou menos eficiente, e como estas entidades podem melhorar o seu desempenho. A análise incidiu sobre o ecossistema empresarial na cidade da Beira. Deste modo, verifica-se que as empresas pretendem cada vez mais alcançar melhores desempenhos mesmo sem disporem de condições viáveis para implementar todas as suas ideias de negócio. Por isso, existe a necessidade de agilizar e melhorar a burocracia e aspectos concernentes a lei, facilitações, etc. no ecossistema empresarial local. Por:EquipeBeiraConnect

    Publicado originalmente na edição Negócios no Chiveve – Fevereiro 2018. Consultar a revista completa em PDF.

  • Mito Armando Carvalho: empreendedor do mês na cidade da Beira

    Mito Armando Carvalho: empreendedor do mês na cidade da Beira

    EMPREENDEDOR DO MÊS NA CIDADE DA BEIRA MITO ARMANDO CARVALHO Na nossa rubrica “empreendedor do mês” conversamos com o jovem empreendedor Mito Armando Carvalho. Um empreendedor que reside na cidade da Beira e que atua na área dos negócios. Nesta entrevista Mito Armando Carvalho fala da sua motivação para abraçar o empreendedorismo e também dos desafios do empreendedorismo na cidade da Beira. Leia a entrevista abaixo para saber mais!

    R: Mito Armando Carvalho é um jovem empreendedor, jurista de profissão, actualmente a cursar o mestrado em direito fiscal e aduaneiro e diretor da empresa Shamah Multi Service, Lda. Presto serviços em contabilidade e recursos humanos a mais de 5 anos e já tive o privilégio de trabalhar com mais de 100 empresas em diversas áreas a nível da cidade da Beira. R: Desde de cedo quis ser independente, sendo que até 2012 encontrava-me empregado em uma empresa local na qual tive que rescindir o contrato porque via-me impedido de crescer na carreira, visto que trabalhava apenas sobre orientações e instruções dos superiores hierárquicos, o que dificultava a elaboração de novas metodologias para implantação dos serviços. Então, optei por seguir uma jornada empreendedora porque sentia que podia dar mais e fazer mais para solucionar problemas que muitos empreendedores e empresários enfrentam com a burocracia nas finanças e muito mais. BC: Quem é o Mito Armando Carvalho e o que faz? BC: O que motivou o Mito a ser empreendedor? BC: Teve o apoio da sua família quando optou por ser empreendedor? R: Foi um pouco difícil no princípio porque encontrava-me a fazer a faculdade e tinha mensalidades por pagar, mas foi um desafio que optei por enfrentar, e a minha família no início não viu essa opção como a melhor, mas sempre me apoio e hoje não arrependem-se de o ter feito pelos resultados positivos que eles têm notado na minha vida pessoal e profissional como empreendedor. BC: Fale-nos da sua empresa. Como é que se chama? Em que área é que opera? E o que faz? R: A Shamah Multi Service, Lda é uma empresa moçambicana virada para as necessidades actuais do mercado, com principal foco para os serviços de recursos humanos (contratação de estrangeiros), serviços migratórios, responder nota de culpa, e também temos a área de contabilidade para empresas de regime organizado e de regime simplificado. BC: Como é que consegue adquirir clientes? R: Bom, a Shamah é o que é hoje pelo facto da boa conduta, ou seja, as pessoas confiam na Shamah porque mostramos sempre ser pessoas íntegras, de boa conduta e comunicativas. Esses são os nossos pilares para conseguir adquirir novos clientes e fidelizar os antigos.

    Por exemplo, agora estamos a trabalhar com 5 empresas da cidade de Maputo e elas chegaram até a Shamah por recomendação de clientes que garantiram que a Shamah é uma empresa credível. Então podemos notar que estamos a trabalhar e a satisfazer as necessidades dos nossos clientes. R: A concorrência atualmente é notória porque temos muitos colaboradores a optarem por criar suas próprias empresas com a mesma visão das empresas que os empregavam, e estes tornam-se nos principais concorrentes da Shamah. Mas nem por isso nós deixamos de trabalhar, porque a cada dia procuramos inovar os serviços que oferecemos em diferentes vertentes. BC: Como encara a concorrência? BC: Vale a pena empreender na cidade da Beira? Porquê? R: Sim vale a pena. Bom, Beira é uma zona de oportunidade porque trata-se de uma cidade que nos favorece por ser uma zona portuária onde há várias empresas e pessoas de outros países a escoarem a sua mercadoria através do porto da Beira, cujo sistema jurídico é diferente, como é o caso de Zimbabwe, Malawi, Zâmbia, entre outros, e que a sua mercadoria parte do nosso porto. Sendo sistemas jurídicos diferentes, as empresas optam por delegar empresas moçambicanas para efectuar os trâmites das suas mercadorias, e essa é a oportunidade que temos para empreender. BC: Quais são os planos que tem para sua empresa? R: Humildade e simplicidade! R: Um dos grandes focos que tenho para o futuro da Shamah é prestar serviço de agenciamento de carga em trânsito e por isso estou a fazer o mestrado em direito fiscal e aduaneiro para perceber melhor como funciona e para estar devidamente preparado para prestar esse serviço. BC: Para si, qual é a chave do sucesso? R: Muita coragem e que sempre vale a pena seguir os nossos sonhos porque sem sonhar o homem não existe. BC: Que conselhos deixa para os jovens que pretendem engrenar no empreendedorismo? Por fim, gostaria que o Beira Connect expandisse mais essa oportunidade para os empreendedores na cidade da Beira, porque são muitos que têm tido resultados positivos na sua jornada mas continuam ocultos por falta de oportunidades como essa. Por:EquipeBeiraConnect. Assim foi a nossa entrevista com o nosso empreendedor do mês Mito Carvalho, desejamos sucessos na sua longa jornada empreendedora.

    Publicado originalmente na edição Negócios no Chiveve – Fevereiro 2018. Consultar a revista completa em PDF.