Num país onde o empreendedorismo muitas vezes nasce da necessidade, a história de Dionísio Marendiuraye revela algo mais profundo: um modelo de negócio construído não apenas para gerar rendimento, mas para quebrar ciclos de pobreza, restaurar dignidade e transformar comunidades rurais. Filho de Machipanda, nascido em 1992, Dionísio descreve-se não apenas como empresário, mas como um “transformador de realidades”, alguém cuja vida foi marcada por adversidades extremas e cuja resposta foi sempre a mesma: reconstruir-se através do conhecimento, da fé e do trabalho.
A sua infância foi marcada por pobreza severa, episódios de humilhação social, bullying e uma falsa acusação criminal quando ainda tinha apenas dez anos. Esse episódio, que levou a comunidade a virar-se contra ele, tornou-se paradoxalmente um ponto de viragem. Foi a mãe quem o protegeu e reafirmou a sua inocência, e foi o pai — mutilado pela guerra, mas empreendedor resiliente — quem lhe transmitiu o primeiro ensinamento empresarial: vender ovos cozidos para garantir sustento. Esse gesto simples transformou-se na primeira escola de negócios, mostrando-lhe desde cedo que o comércio pode ser uma ferramenta de dignidade.
Ao longo da adolescência, Dionísio fez de tudo para sobreviver: carregou cargas pesadas na fronteira de Machipanda (Moçambique-Zimbabwe), vendeu pequenos produtos, e encontrou refúgio nos estudos e na leitura da Bíblia. Esse período consolidou a sua convicção de que a educação e o propósito seriam as únicas respostas duradouras para o sofrimento vivido. Mais tarde, já formado e a trabalhar como extensionista agrário, começou a perceber que a sua missão não se limitava à assistência técnica. O contacto diário com agricultores revelou-lhe um padrão estrutural: o problema das comunidades rurais não era apenas a falta de produção, mas sobretudo a falta de conhecimento aplicado, acesso a insumos de qualidade e integração económica.
O momento decisivo surgiu em 2020, durante a pandemia. As restrições de mobilidade levaram muitos produtores a pedir-lhe que comprasse insumos nas cidades e os entregasse directamente nos campos. Esse serviço informal revelou-lhe uma oportunidade clara: formalizar o conhecimento técnico e transformá-lo numa estrutura empresarial que resolvesse simultaneamente os problemas dos agricultores e a sua própria vulnerabilidade financeira. Assim nasceu a Agro-Dio Mozambique, posteriormente renomeada Agro-Dio Machava, numa decisão estratégica que reflectiu a identidade construída localmente. Os clientes já não viam a empresa como uma marca distante, mas como o negócio do “Machava” que conheciam pessoalmente — alguém que cresceu na mesma comunidade e partilhava os mesmos desafios.
Hoje, a Agro-Dio Machava comercializa sementes certificadas, fertilizantes, ferramentas agrícolas, produtos veterinários e nutrição animal, mas o seu verdadeiro diferencial permanece o mesmo desde o início: a assistência técnica gratuita. Para Dionísio, vender insumos sem ensinar a utilizá-los correctamente significa perpetuar a pobreza. Por isso, mantém sessões regulares de aconselhamento técnico, garantindo que cada agricultor não apenas compra, mas aprende. O impacto já é visível em diversas comunidades, onde produtores passaram a alcançar excedentes agrícolas, aumentar rendimento e iniciar pequenas actividades pecuárias com maior segurança.
Essa leitura sistémica do desenvolvimento rural levou-o a identificar um segundo problema estrutural: mesmo quando os agricultores conseguem produzir e gerar lucro, muitas vezes não conseguem transformar esse rendimento em melhoria habitacional devido à especulação no mercado de materiais de construção. Foi esta constatação que motivou a criação da Marendiuraye Comercial, Lda., empresa cujo nome homenageia o pai e o legado empresarial familiar interrompido pela guerra. A loja, construída simbolicamente sobre uma antiga lixeira onde Dionísio recolhia bidões em criança, tornou-se um marco local e um símbolo de mobilidade social possível.
A Marendiuraye Comercial posiciona-se como um elo complementar da Agro-Dio: enquanto a primeira aumenta a produtividade agrícola, a segunda permite converter esse rendimento em habitação digna através de materiais de construção a preços justos. Para o empresário, trata-se de fechar o ciclo económico do produtor rural — produzir, vender, investir e melhorar a qualidade de vida. Este modelo integrado transforma duas empresas distintas num sistema único de desenvolvimento comunitário.
A sua experiência como extensionista continua a influenciar profundamente a forma como identifica oportunidades. Trabalhar directamente no terreno ensinou-lhe que a inovação no sector agrário não depende apenas de tecnologia sofisticada, mas sobretudo de assistência contínua, acesso a informação fiável, sistemas de irrigação, insumos certificados e integração de mercados. Entre os principais desafios dos pequenos produtores moçambicanos, destacam-se a vulnerabilidade climática, a dependência de produção de sequeiro, a escassez de assistência técnica permanente, a especulação nos preços e a dificuldade de acesso a canais de comercialização estáveis.
Para enfrentar esses desafios, Dionísio defende soluções baseadas em três pilares: infra-estrutura hídrica e irrigação, formação técnica contínua e digitalização da partilha de conhecimento. O uso de plataformas online, grupos de debate e redes sociais tem sido parte da sua estratégia pessoal para democratizar informação agrícola, permitindo que produtores obtenham respostas rápidas mesmo em zonas remotas.
Do ponto de vista da gestão, afirma não ver as suas empresas como projectos independentes, mas como extensões de uma única missão. O modelo baseia-se em propósito claro, equipa de confiança e disciplina operacional. Reconhece, contudo, que enfrenta desafios significativos, sobretudo na gestão de tempo, acesso a crédito, logística de stocks e recrutamento de colaboradores alinhados com a mesma ética de trabalho.
Apesar disso, acredita que a confiança do mercado constrói-se através de três factores simples: verdade, tempo e resultados. A honestidade na recomendação de produtos, a presença contínua na comunidade e a evidência prática de aumento de produtividade dos clientes consolidaram a reputação das empresas. Para ele, a consultoria gratuita não é um custo, mas um investimento estratégico que transforma clientes em parceiros de longo prazo.
O seu olhar sobre o futuro do empreendedorismo jovem em Moçambique é igualmente pragmático. Considera que as maiores oportunidades não estão necessariamente em projectos tecnológicos sofisticados, mas na resolução directa de problemas locais: cadeias de valor agrícola, transformação digital aplicada ao campo, construção acessível, serviços de proximidade e comércio regional. Mais do que capital inicial, acredita que os factores decisivos são persistência, aprendizagem contínua, capacidade de escuta e integridade.
Nos próximos cinco anos, pretende posicionar a Agro-Dio Machava e a Marendiuraye Comercial como um sistema consolidado de desenvolvimento comunitário, expandindo assistência técnica, formando novos técnicos locais e reforçando parcerias estratégicas com programas agrícolas, fornecedores certificados e instituições de apoio. O objectivo final não é apenas crescer empresarialmente, mas consolidar o nome Marendiuraye como sinónimo de confiança, justiça e transformação social.
A mensagem que deixa aos jovens é directa: as oportunidades raramente estão no sonho distante, mas quase sempre no problema mais próximo. Para ele, o empreendedor começa quando alguém decide resolver uma necessidade concreta da sua própria comunidade.
Se tivesse de resumir a sua própria história numa frase, Dionísio escolheria uma imagem poderosa: quer ser lembrado como o menino que recolhia bidões no lixo e que construiu o primeiro prédio sobre essa mesma lixeira — prova viva de que as origens não determinam o destino, mas o propósito pode redefini-lo completamente.
Num contexto global marcado por rápidas transformações económicas, crescente pressão competitiva e necessidade constante de inovação, a liderança deixou de ser apenas uma função operacional para se afirmar como um factor crítico de sustentabilidade e crescimento das organizações. Em Moçambique, este debate ganha uma dimensão estratégica adicional ao considerar o papel crescente das mulheres nos espaços de decisão e o impacto efectivo dessa presença na performance empresarial.
A ascensão da liderança feminina deixou de ser apenas uma questão de equidade — é, cada vez mais, uma questão de competitividade e de visão estratégica. Neste cenário, destaca-se a voz de Glayds Gande, cuja trajectória, construída entre o sector público, organismos multilaterais, pequenas e grandes empresas, bem como multinacionais, lhe confere uma perspectiva ampla, pragmática e profundamente contextualizada sobre o funcionamento das organizações.
A sua leitura é clara e disruptiva: não existe um modelo único de liderança. O que funciona depende da cultura organizacional, do ambiente de negócio, dos objectivos estratégicos e do público que se pretende impactar. Liderar, neste sentido, é um exercício contínuo de adaptação — a capacidade de ajustar ferramentas, decisões e abordagens às dinâmicas específicas de cada contexto. Esta visão rompe com modelos rígidos e posiciona a liderança como uma competência estratégica, dinâmica e situacional.
Ao longo do seu percurso, um dos elementos mais marcantes tem sido ocupar espaços de decisão tradicionalmente dominados por homens, sendo frequentemente a única mulher na sala. Mais do que um obstáculo, esta realidade tornou-se uma fonte de motivação e afirmação. A criação e aprovação de iniciativas como o programa Be Like a Woman reflectem esse compromisso, ao focar-se na capacitação feminina para ultrapassar o “tecto de vidro”, preparando mulheres para assumirem posições estratégicas com competências, confiança e redes de suporte estruturadas.
Apesar destes avanços, a presença feminina nos níveis mais altos das organizações em Moçambique continua a enfrentar desafios estruturais. Curiosamente, observa-se maior abertura nas empresas de matriz nacional, impulsionadas por agendas de inclusão. Em contraste, nas multinacionais e em algumas instituições públicas, as mulheres são ainda frequentemente direccionadas para funções periféricas, afastadas dos centros de decisão. Esta realidade torna-se mais evidente quando se constata a ausência de mulheres no cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) em grandes empresas no país, revelando que o verdadeiro desafio permanece no topo das estruturas organizacionais.
No centro destas limitações encontra-se uma barreira persistente: a cultura. As expectativas sociais continuam a impor às mulheres uma gestão desigual entre ambição profissional e responsabilidades domésticas, condicionando, muitas vezes, o seu nível de aspiração. A escassez de referências femininas em posições de liderança reforça este ciclo, alimentando dúvidas sobre a possibilidade de alcançar — e sustentar — esses espaços.
Perante este cenário, o papel das organizações torna-se determinante. Mais do que discursos sobre inclusão, é necessário promover uma transição efectiva de uma cultura de intenção para uma cultura de mérito. Isto implica avaliar mulheres com base exclusiva nas suas competências, visão estratégica e resultados, ao mesmo tempo que se constroem ecossistemas organizacionais que reconheçam as suas especificidades e equilibrem um ambiente corporativo ainda fortemente masculinizado.
Neste processo, a integração da diversidade como parte estrutural da estratégia empresarial assume um papel central. Quando a inclusão deixa de ser apenas um ideal e passa a ser medida, monitorizada e incorporada nos indicadores de desempenho, transforma-se numa prática consistente e sustentável.
Do ponto de vista das competências, a liderança feminina exige um conjunto integrado de capacidades estratégicas. A visão de longo prazo aliada à agilidade mental permite antecipar tendências e adaptar rapidamente o rumo do negócio. A inteligência emocional e a capacidade de construir redes de influência tornam-se essenciais para gerir pressões, mediar conflitos e mobilizar recursos. A comunicação assertiva, por sua vez, garante que a visão da líder seja compreendida, valorizada e integrada nos processos de decisão.
Mais do que uma questão de representatividade, a liderança feminina introduz uma abordagem diferenciadora na gestão organizacional. Caracteriza-se por uma visão mais holística, que equilibra resultados financeiros com sustentabilidade humana e organizacional. Esta abordagem traduz-se em decisões mais ponderadas, maior coesão das equipas e uma atenção estratégica ao desenvolvimento do capital humano — factores determinantes para a resiliência das organizações em contextos de incerteza.
Os impactos desta transformação são já evidentes. A presença feminina na liderança não deve ser vista como um elemento simbólico, mas como um factor de competitividade. Evidências globais indicam que organizações com lideranças diversas apresentam maior desempenho financeiro. Em Moçambique, exemplos concretos, particularmente no sector bancário, demonstram que a introdução de mulheres em posições de topo contribuiu para a recuperação de instituições em contextos de crise, reforçando a sua capacidade de gestão de risco, inovação e credibilidade no mercado.
Neste percurso, a mentoria assume-se como um instrumento estratégico de aceleração. Mais do que orientação, permite às futuras líderes compreender as dinâmicas informais das organizações, navegar nos centros de decisão e transformar competência técnica em influência executiva. Trata-se de um mecanismo essencial para encurtar a curva de aprendizagem e fortalecer a confiança necessária para assumir posições de responsabilidade.
O futuro da liderança feminina em Moçambique dependerá, em grande medida, da capacidade de estruturar sistemas consistentes de desenvolvimento e sucessão. A inclusão obrigatória de mulheres em programas de liderança, a criação de pipelines robustos e o estabelecimento de mecanismos de patrocínio corporativo são passos fundamentais para garantir uma transformação sistémica e sustentável.
Para Glayds Gande, o verdadeiro sinal de maturidade do tecido empresarial será alcançado quando a liderança feminina deixar de ser um tema de debate e passar a ser uma realidade natural. Até lá, o caminho exige preparação contínua, consistência e uma mudança profunda na forma como as organizações identificam, desenvolvem e valorizam o talento.
A liderança feminina em Moçambique não é apenas uma tendência — é uma transformação estrutural em curso. Uma transformação que não só redefine o papel das mulheres nas organizações, mas também reposiciona a própria lógica de criação de valor nas empresas, tornando-as mais resilientes, inclusivas e preparadas para o futuro.
Num contexto em que o empreendedorismo exige cada vez mais inovação, consistência e capacidade de adaptação, surgem perfis que combinam conhecimento técnico com visão estratégica para criar negócios com propósito. É neste enquadramento que se destaca Érica Rosalina, engenheira de processos industriais e empreendedora que tem vindo a afirmar o seu percurso através da criação de iniciativas orientadas para impacto, qualidade e valorização pessoal.
A sua trajectória no empreendedorismo não nasceu de uma oportunidade isolada, mas de uma inquietação interna — o desejo de fazer mais, de criar algo próprio e de gerar impacto real na vida das pessoas. Apesar de possuir uma base sólida na área industrial, Érica sentia que podia ir além do percurso convencional, construindo projectos que respondessem a necessidades concretas do mercado, especialmente ligadas ao bem-estar, à autoestima e à valorização individual, como a marca do chá Kika, a sua nova aposta no mercado.
A sua formação académica e experiência profissional desempenharam um papel determinante na forma como estruturou os seus negócios. A engenharia de processos e o controlo de qualidade incutiram-lhe uma mentalidade orientada para a eficiência, organização e melhoria contínua. Estes princípios foram incorporados nos seus projectos, garantindo consistência, credibilidade e foco na excelência — elementos essenciais para a construção de marcas sustentáveis.
Os seus empreendimentos surgem, assim, da capacidade de observar o mercado e identificar lacunas. Mais do que comercializar produtos, Érica procurou criar soluções que transmitissem uma mensagem mais profunda: a importância do cuidado pessoal, da autoestima e da confiança. Esta abordagem diferenciadora permitiu-lhe posicionar-se não apenas como empresária, mas como promotora de transformação individual e social.
Contudo, o caminho não esteve isento de desafios. Tal como muitos empreendedores em contextos emergentes, enfrentou limitações de recursos, dificuldades na construção de credibilidade e a necessidade constante de aprendizagem. A transição entre o conhecimento técnico e as exigências do mercado — incluindo gestão, estratégia e relacionamento com clientes — exigiu disciplina, resiliência e capacidade de adaptação
Para Érica, ser uma mulher líder no contexto empresarial moçambicano vai além da gestão de um negócio. Significa representar possibilidades, abrir caminhos e desafiar padrões estabelecidos. A liderança feminina, na sua visão, carrega também uma dimensão de responsabilidade: inspirar outras mulheres a acreditarem no seu potencial e a construírem os seus próprios percursos. Entre as características essenciais para uma liderança transformadora, destacam-se a autoconfiança, a empatia, a resiliência e a visão estratégica, aliadas à capacidade de ouvir, aprender e evoluir continuamente .
O impacto do seu trabalho estende-se para além do negócio. Ao partilhar a sua experiência — incluindo desafios e conquistas — Érica tem contribuído para inspirar jovens e mulheres a entrarem no mundo do empreendedorismo. Acredita que o exemplo é uma das formas mais poderosas de influência e que o empreendedorismo desempenha um papel central no desenvolvimento económico e social, através da criação de empregos, da promoção da inovação e da geração de soluções locais para desafios locais.
Ao longo da sua jornada, uma das lições mais marcantes foi compreender que a consistência supera a perfeição. Para Érica, o crescimento não depende de começar com condições ideais, mas sim da disciplina e do compromisso em melhorar continuamente. Os momentos de incerteza, especialmente no início, foram determinantes para fortalecer a sua resiliência e reafirmar o seu propósito enquanto empreendedora.
O futuro aponta para a expansão e consolidação dos seus projectos, com foco no fortalecimento da marca, no estabelecimento de parcerias estratégicas e no investimento na produção local. Paralelamente, mantém o compromisso de desenvolver iniciativas que continuem a gerar impacto positivo na comunidade, reforçando o papel do empreendedorismo como instrumento de transformação social.
A sua mensagem para outras mulheres é clara: começar com o que se tem. Num ambiente onde as condições ideais raramente existem, a acção torna-se o primeiro passo essencial. Investir no conhecimento, manter consistência e acreditar no próprio valor são, para Érica Rosalina, os pilares fundamentais para construir um negócio e uma trajectória de sucesso.
Mais do que uma engenheira ou empresária, Érica representa uma nova geração de mulheres moçambicanas que unem conhecimento, propósito e acção para construir soluções, criar oportunidades e transformar realidades.
No universo do empreendedorismo moçambicano, existem histórias que não começam com oportunidade — começam com necessidade. A trajetória de Sónia das Sonyas é um exemplo marcante de como a resiliência, a criatividade e a determinação podem transformar circunstâncias difíceis em caminhos de sucesso.
Desde muito cedo, o empreendedorismo não foi uma escolha, mas uma questão de sobrevivência. Ainda criança, com apenas oito anos, Sónia já acompanhava a sua mãe no mercado, ajudando na venda de bananas e outros produtos. Entre a escola e o mercado, começou a desenvolver o seu espírito comercial, vendendo também os seus próprios produtos. Foi assim que, ainda jovem, conseguiu conquistar pequenas vitórias, como comprar a sua primeira roupa com o seu próprio esforço .
Ao longo dos anos, foi experimentando diferentes actividades — desde a venda de bolinhos e doces, até à produção artesanal de acessórios. Contudo, um dos momentos mais difíceis da sua vida marcou também uma viragem decisiva: a perda da mãe. Forçada a abandonar os estudos, teve de recomeçar do zero, viajando para o Zimbabwe para adquirir produtos e revendê-los na Beira, enfrentando desafios como longas jornadas, clientes inadimplentes e a necessidade de encontrar um negócio sustentável.
A sua caminhada foi marcada por reinvenção constante. Vendeu frutas, legumes, carvão, roupas e produtos personalizados. Enfrentou momentos de falência e dificuldades pessoais, incluindo a maternidade em condições adversas. Ainda assim, nunca deixou de procurar novas formas de recomeçar.
Um dos pontos de viragem surgiu de um gesto simples: ao receber dinheiro para o almoço, decidiu investir em peças de roupa para revenda. A estratégia revelou-se lucrativa e, com disciplina e consistência, conseguiu acumular capital suficiente para investir no seu primeiro fardo de roupas e num manequim. Assim nasceu a Ebenezer Creative, um projecto que viria a transformar a sua vida.
Com uma visão inovadora, Sónia identificou uma oportunidade clara: muitas mulheres não tinham tempo ou disposição para ir ao mercado. Criou então um modelo de negócio baseado em conveniência e valor acrescentado — venda ao domicílio, roupas lavadas, passadas e prontas a usar. Para além disso, introduziu estratégias como consultoria de moda, personalização de peças e criação de grupos VIP de clientes, estimulando a fidelização e o crescimento contínuo do negócio .
Hoje, Sónia é uma das maiores fornecedoras de roupas usadas no país, com distribuição para todas as províncias de Moçambique e presença em mercados internacionais como Zimbabwe, Zâmbia, Malawi, Tanzânia e, ocasionalmente, África do Sul. Lidera uma rede de revendedores — na sua maioria mulheres — com destaque para um grupo com cerca de 700 integrantes, que encontram nela uma fonte de inspiração e oportunidade económica.
Para além do impacto económico, o seu trabalho tem uma forte dimensão social. Sónia emprega colaboradores, oferece mentoria a jovens empreendedores e participa em acções sociais, consolidando o seu papel como agente de transformação na comunidade. O empreendedorismo permitiu-lhe alcançar conquistas significativas, como construir a sua casa, adquirir bens, proporcionar educação de qualidade aos filhos e expandir horizontes pessoais e profissionais.
Contudo, o caminho não esteve isento de desafios. Entre as dificuldades destacam-se o assédio no ambiente de negócios, a desvalorização da mulher em certos sectores e as burlas financeiras. Ainda assim, Sónia mantém uma visão firme: o sucesso exige foco, coragem, perseverança e, acima de tudo, a capacidade de nunca desistir .
A sua maior lição foi aprender a escolher as pessoas certas para fazer negócios, após experiências negativas que lhe custaram perdas significativas. Apesar dos momentos de desânimo, nunca considerou desistir. A sua motivação vem do inconformismo — a crença de que é sempre possível fazer melhor —, da fé e do desejo de proporcionar um futuro melhor para os seus filhos .
O futuro, para Sónia, passa pela expansão do negócio para lojas físicas em todo o país, pela internacionalização com novos fornecedores e pela concretização de um sonho social: criar uma escola de artes com base em materiais recicláveis, voltada para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade .
A sua mensagem para outras mulheres é clara e directa: é preciso dar o primeiro passo. Num mundo onde as oportunidades nem sempre são dadas, criar o próprio caminho torna-se essencial. Com o apoio das ferramentas digitais e das redes sociais, Sónia acredita que nunca houve um momento tão propício para transformar ideias em realidade.
A história de Sónia das Sonyas não é apenas sobre negócios. É sobre superação, visão e impacto. É a prova de que, mesmo nos contextos mais desafiadores, o empreendedorismo pode ser um instrumento poderoso de transformação pessoal e colectiva.
O empreendedorismo feminino em Moçambique tem vindo a afirmar-se como uma força crescente no desenvolvimento económico local, impulsionado por mulheres que transformam ambição em acção e desafios em oportunidades. Entre estas histórias de construção e impacto destaca-se Sheila Simango, uma empreendedora cuja trajectória combina visão, resiliência e compromisso com a criação de valor para a sua comunidade.
A sua jornada no mundo dos negócios iniciou-se há cerca de nove anos, de forma simples, mas estratégica: vendendo roupas para colegas na universidade. O que começou como uma actividade informal rapidamente evoluiu para um projecto estruturado, com a criação do seu primeiro espaço, inicialmente focado em salão e boutique, e posteriormente expandido para a área de estética. Desde o início, Sheila demonstrou uma motivação clara: não apenas gerar rendimento, mas construir algo próprio com impacto real na vida das pessoas, particularmente das mulheres.
A decisão de empreender foi também impulsionada por um momento de viragem pessoal. Ao perceber que o trabalho tradicional limitava a sua capacidade de crescimento, optou por seguir um caminho independente, assumindo os riscos e responsabilidades inerentes ao empreendedorismo. Essa escolha resultou na criação da marca Fancy Store, em 2018, consolidando a sua presença no sector da beleza e bem-estar.
A sua visão estratégica permitiu-lhe identificar uma oportunidade clara no mercado: a crescente procura por serviços de estética de qualidade, combinados com atendimento personalizado. Mais do que oferecer produtos ou serviços isolados, Sheila apostou na criação de uma experiência integrada, reunindo salão, boutique e spa num único conceito. Esta abordagem diferenciadora contribuiu para o posicionamento da sua marca e para a construção de uma base sólida de clientes.
Como em muitos percursos empreendedores, os desafios foram uma constante. A limitação de recursos financeiros, a necessidade de construir credibilidade e a falta de experiência inicial em gestão representaram obstáculos significativos. Um dos aspectos mais críticos foi a dificuldade em separar as finanças pessoais das finanças do negócio, situação comum entre empreendedores em fases iniciais. Paralelamente, conciliar a vida pessoal — especialmente enquanto mãe — com as exigências do negócio exigiu equilíbrio, disciplina e resiliência.
Apesar destes desafios, o impacto do seu trabalho tornou-se evidente. Através dos seus negócios, Sheila tem contribuído para a criação de empregos e para a capacitação de jovens, com especial enfoque em mulheres. Para além disso, a sua própria trajectória serve como exemplo de que é possível começar com recursos limitados e construir algo significativo através da consistência e dedicação. Esta capacidade de inspirar outras pessoas reforça o seu papel como agente de transformação no contexto local.
A sua liderança estende-se também ao campo institucional. Enquanto Delegada Provincial da ANJE em Manica, Sheila tem desempenhado um papel activo na promoção do empreendedorismo jovem, facilitando o acesso a redes, oportunidades e conhecimento. Para si, liderar significa mais do que crescer individualmente: é criar impacto colectivo, abrir caminhos e contribuir para o desenvolvimento de outros empreendedores.
Na sua perspectiva, as mulheres desempenham um papel fundamental no desenvolvimento económico local. São agentes resilientes, criativos e frequentemente responsáveis pelo sustento das suas famílias. Quando uma mulher alcança autonomia económica, o impacto estende-se à família e à comunidade, reforçando a importância do empreendedorismo feminino como motor de transformação social.
Ao longo da sua trajectória, uma das principais lições foi compreender que o crescimento exige tempo, consistência e respeito pelo processo. Nem sempre os resultados surgem de forma imediata, mas a persistência e a dedicação acabam por gerar frutos. Momentos difíceis, como os desafios iniciais e o impacto da pandemia da COVID-19 — que chegou a forçar o encerramento temporário do negócio — foram superados através da reinvenção e da força do propósito.
O futuro de Sheila Simango passa pela expansão e consolidação dos seus negócios, com foco no fortalecimento da marca Fancy Store e na continuidade do seu trabalho de apoio a jovens empreendedores. A sua visão mantém-se alinhada com o desenvolvimento de soluções que combinem crescimento económico com impacto social.
A sua mensagem para outras mulheres é clara e pragmática: começar com o que se tem. Num contexto onde as condições ideais raramente existem, a acção torna-se o elemento decisivo. Acreditar em si mesma, manter consistência e não temer o erro são, para Sheila, os pilares fundamentais para construir uma trajectória de sucesso.
A história de Sheila Simango demonstra que o empreendedorismo não é apenas sobre negócios — é sobre liderança, propósito e transformação. É a prova de que, com visão e coragem, é possível construir não apenas empresas, mas também caminhos para outras mulheres seguirem.
Num mercado cada vez mais competitivo, onde muitas ideias parecem repetir-se, a diferença está, muitas vezes, na forma como se observa uma oportunidade, se constrói uma marca e se transforma um produto simples numa experiência memorável. Foi a partir dessa sensibilidade que nasceu a YAH, uma marca beirense que vem ganhando espaço ao unir sumos naturais, cocktails, criatividade e uma identidade visual forte.
À frente do projecto está Yara Cuembelo, que encontrou no empreendedorismo uma forma de aplicar a sua experiência profissional, explorar a criatividade e responder a uma necessidade concreta do mercado. O que começou com a venda de sumos naturais evoluiu para uma marca associada a frescura, eventos, inovação e momentos especiais.
Nesta entrevista, Yara partilha o percurso que deu origem à YAH, os desafios de empreender sendo mulher num sector exigente, a importância da consistência física e digital, e a visão que tem para o futuro de uma marca que nasceu para marcar momentos.
Yara Cuembelo, residente na cidade da Beira, não chegou ao empreendedorismo por um caminho inicialmente planeado. Aos 28 anos, formada em Gestão de Marketing e Relações Públicas pela Universidade Católica de Moçambique, construiu a sua base profissional no universo da comunicação, da marca e do relacionamento com o público.
Antes mesmo de concluir a licenciatura, em 2019, já actuava como técnica de marketing numa empresa do sector da restauração, experiência que lhe permitiu aplicar, na prática, os princípios fundamentais da área em que se formou. Ao longo de seis anos no mercado de trabalho, Yara manteve-se ligada ao marketing, desenvolvendo competências em posicionamento, comunicação, atendimento, experiência do cliente e construção de valor.
Apesar desse percurso, nunca imaginou que um dia se tornaria empreendedora, muito menos num sector ligado à mixologia e aos sumos naturais. No entanto, em 2024, essa trajectória ganhou um novo rumo com o nascimento da YAH, uma marca que viria a juntar criatividade, experiência, identidade visual e uma nova forma de olhar para bebidas em eventos.
“Eu nunca imaginei que um dia seria empreendedora, e muito menos na área de mixologia e sumos naturais, até que em 2024 nasceu a YAH”, recorda.
A ideia de negócio nasceu de uma observação simples, mas reveladora: a capacidade de escutar o mercado onde outros apenas passam. Num dia comum, ao sair do ginásio, Yara ouviu algumas pessoas comentarem que não havia uma opção fresca e natural para beber antes ou depois dos treinos. Para ela, aquele comentário mostrou que boas oportunidades de negócio podem nascer de necessidades quotidianas, desde que o empreendedor esteja atento ao mercado.
“Foi aí que percebi que é importante estarmos sensíveis e atentos para identificar oportunidades de negócio que resolvam a dor do cliente”, afirma.
Foi assim que decidiu dar o primeiro passo, comprando uma máquina de sumo de cana e iniciando aquilo que viria a tornar-se a YAH.
O nome YAH nasce da própria identidade de Yara, mas com uma intenção clara de marca. Embora tenha origem no seu nome, a empreendedora não queria criar uma designação demasiado óbvia, como “sumos da Yara”. Procurava algo curto, memorável e capaz de ficar facilmente na mente das pessoas.
A escolha ganhou ainda mais força por se tratar de uma expressão familiar no quotidiano moçambicano. “Yah” é uma palavra presente na linguagem informal, usada naturalmente em conversas diárias, o que torna a marca próxima, simples e fácil de recordar.
“O nome YAH vem do meu próprio nome, Yara, mas eu queria algo que ficasse facilmente na mente das pessoas. A palavra ‘Yah’ já faz parte do vocabulário dos moçambicanos. Penso que ninguém em Moçambique passa um dia sem dizer ‘Yah’”, explica.
Com este nome, Yara pretende transmitir autenticidade, criatividade e uma presença feminina forte no mercado de sumos naturais e cocktails.
O início da YAH, porém, foi marcado por limitações financeiras e muita persistência. Na altura, Yara tinha apenas dinheiro suficiente para comprar uma máquina em segunda mão. Para completar a estrutura inicial do negócio, vendeu arranjos de plantas naturais e, pouco a pouco, conseguiu adquirir a mesa, os acessórios, os copos, as palhinhas, os colantes personalizados e os elementos visuais que dariam identidade à marca.
Foram cerca de cinco meses a juntar recursos e organizar cada detalhe antes de colocar o negócio em funcionamento. No princípio, as vendas eram reduzidas, mas a persistência foi essencial. Depois do primeiro mês, a marca começou a ganhar visibilidade, despertando curiosidade e atraindo novos clientes.
Contudo, o maior desafio da YAH não esteve apenas nas limitações financeiras, no produto ou na aceitação do mercado, mas na construção de uma equipa capaz de acompanhar a visão da marca. Para Yara, a mão-de-obra tem sido, desde o início, um dos principais obstáculos ao crescimento do negócio.
A dificuldade em encontrar colaboradores comprometidos, responsáveis e alinhados com o padrão de qualidade da marca limita a expansão. Como fundadora, Yara sente a necessidade de estar presente em vários momentos da operação, tanto para garantir a qualidade do serviço como porque os clientes se sentem mais seguros quando a vêem directamente envolvida na experiência.
“O maior desafio desde o início até hoje é a mão-de-obra. É muito difícil encontrar trabalhadores comprometidos a nível local. Isso dificulta a expansão do negócio, porque, como fundadora, tenho de estar sempre presente. Não é fácil delegar funções quando a mão-de-obra ainda deixa muito a desejar”, explica.
Para ultrapassar esse desafio, Yara tem apostado na selecção, contratação e formação de colaboradores, procurando estruturar uma equipa capaz de acompanhar o crescimento da YAH sem comprometer a qualidade, a identidade e a experiência que a marca entrega aos clientes.
Inicialmente, a YAH nasceu com foco nos sumos naturais, mas rapidamente evoluiu para uma proposta mais ampla, integrando cocktails e serviços para eventos. Esta transição resultou da criatividade de Yara e da vontade de explorar a cana-de-açúcar como matéria-prima diferenciadora, transformando um produto simples em bebidas com identidade própria.
Numa primeira fase, surgiram as “canarinhas” de maracujá e limão, bem como a “cana colada”, todas preparadas com base na cana-de-açúcar. Com o tempo, a exigência dos clientes levou Yara a aprofundar conhecimentos e a introduzir outros cocktails, mas a canarinha de maracujá continua a ser um dos produtos mais procurados da marca.
“Temos vindo a adaptar-nos dia após dia. A princípio, a YAH foi concebida apenas para sumos naturais, mas depois tive a ideia de usar a cana-de-açúcar como matéria-prima para fazer cocktails aos finais de semana”, explica.
Hoje, essa capacidade de adaptação permite à YAH atender públicos diferentes: clientes que procuram sumos naturais para eventos e outros que desejam cocktails personalizados para tornar as celebrações mais marcantes.
Num mercado onde já existem vários pontos de venda de sumos, Yara acredita que o verdadeiro diferencial da YAH está na autenticidade da marca e na forma como transforma uma matéria-prima comum numa experiência diferenciada. Desde o início, ouviu comentários de quem dizia que “sumo de cana toda a gente faz” e que esse tipo de negócio dificilmente teria retorno. Em vez de encarar essa percepção como limitação, usou-a como motivação para inovar.
“Sempre digo que o maior diferencial do nosso negócio somos nós mesmos. A autenticidade da YAH é o que a destaca de outras marcas. Eu criei a YAH para ser uma revolução na área dos sumos de cana, para mostrar que é possível usar essa matéria-prima valiosa para criar sabores e experiências únicas para o público”, afirma.
Foi nesse processo que a marca desenvolveu combinações próprias, como sumo de cana com coco, malambe, tamarindo e frutos vermelhos, sabores que se tornaram parte da identidade da YAH e continuam a ter grande aceitação junto dos clientes.
Por outro lado, a introdução do sumo de cana como base para cocktails surgiu de uma inspiração simples e criativa. Ao observar a composição de bebidas populares, como a caipirinha, tradicionalmente feita com cachaça, limão e açúcar, Yara percebeu que poderia substituir o açúcar pelo sumo natural da cana, criando uma bebida mais fresca, com identidade própria e ligação directa à marca.
“A ideia surgiu no intuito de aproveitar a matéria-prima que já usávamos nos sumos. Afinal, a caipirinha é feita de cachaça, limão e açúcar. Foi só uma questão de substituir o açúcar pelo sumo de cana”, explica.
A partir dessa capacidade de transformar a cana-de-açúcar em diferentes experiências, a YAH procura equilibrar inovação, autenticidade e qualidade em cada detalhe. Para Yara, não basta criar novos sabores; é preciso cuidar da apresentação, do atendimento, da frescura dos ingredientes e da forma como cada bebida se integra ao momento do cliente.
“Equilibramos inovação, autenticidade e qualidade unindo presença digital estratégica, experiência personalizada e cuidado com o produto entregue”, afirma.
Essa combinação entre criatividade, comunicação e atenção ao detalhe tem sido uma das bases da diferenciação da YAH no mercado. A receptividade do público beirense tem sido um dos sinais mais encorajadores desse posicionamento. A aceitação superou as expectativas iniciais e reforçou a confiança de Yara na proposta da marca.
“A resposta do público tem sido positiva, melhor do que esperávamos. Claro que não temos como agradar a todos, mas Deus tem-nos abençoado com clientes muito bons, que apostam e apoiam os nossos produtos e serviços”, afirma.
Para a empreendedora, esse apoio tem sido fundamental para fortalecer a marca e continuar a aperfeiçoar os produtos, o atendimento e a experiência entregue em cada evento.
A aceitação do público foi acompanhada por momentos que marcaram a consolidação da YAH e reforçaram a confiança de Yara no caminho escolhido. Um dos mais simbólicos foi o primeiro dia de vendas, em 2024, na légua da Cornelder, oportunidade aberta com o apoio de Chabelli Gonçalves.
“Foi muito estratégico inaugurar a YAH naquele evento. Conseguimos fazer uma boa publicidade logo de primeira, muitos participantes aderiram aos sumos e deram feedbacks positivos. E tivemos a honra de receber o Governador da cidade da Beira no nosso stand, foi mesmo uma bênção”, recorda.
Depois vieram outros marcos importantes: a presença na muralha, um espaço estratégico e difícil de conquistar, e o primeiro casamento em que a YAH prestou serviços de cocktails, experiência que abriu portas no mercado de eventos. Para Yara, esses momentos confirmaram que a marca não estava apenas a vender bebidas, mas a construir presença, reputação e ligação com o público.
A construção dessa presença, reputação e ligação com o público não acontece por acaso. Para Yara, empreender no sector criativo e de eventos, sobretudo num mercado desafiante como o da Beira, exige mais do que uma boa ideia: exige estudo, observação e capacidade de diferenciação.
“É preciso fazer pesquisa de mercado, perceber como a concorrência trabalha e como podemos destacar-nos. Também é importante desenvolver habilidades de marketing e design gráfico, pesquisar tendências e aprender sobre o comportamento de compra do consumidor”, explica.
Na sua visão, ferramentas digitais como aplicações de design, YouTube e TikTok podem ser grandes aliadas para aprender, testar ideias, acompanhar tendências e manter a marca actualizada.
Essa capacidade de estudar o mercado e diferenciar-se torna-se ainda mais importante num percurso que, para Yara, também é atravessado pelos desafios de ser mulher empreendedora em Moçambique. No sector da coquetelaria, tradicionalmente mais associado à presença masculina, a fundadora da YAH sente que, por vezes, precisa provar competência antes mesmo de apresentar o seu trabalho.
“É mesmo desafiador empreender em Moçambique, mas ser mulher empreendedora é ainda mais desafiante. A área de coquetelaria tem sido mais dominada por homens, então ser mulher nesta área gera dúvidas”, afirma.
Ainda assim, Yara mantém uma postura firme e profissional. Quando está sozinha, procura não dar espaço a abordagens que desviem o foco do trabalho; e, quando trabalha ao lado do marido, essa presença acaba por criar uma barreira natural. Para ela, liderar a YAH exige criatividade, mas também segurança, firmeza e compromisso com a visão da marca.
Para sustentar essa firmeza no mercado, Yara destaca a consistência e a disciplina como pilares do crescimento da YAH. Em apenas dois anos, a marca conquistou visibilidade e reconhecimento porque manteve presença regular, tanto no espaço físico como no digital.
“Nem todos os dias acordamos motivados para trabalhar, mas devemos fazer a nossa parte todos os dias. A consistência e a disciplina levam-nos a lugares onde a motivação, sozinha, nunca nos levaria”, afirma.
Na prática, essa consistência significa abrir a banca com regularidade, cumprir horários, manter a qualidade dos produtos e comunicar de forma activa nas redes sociais. Para Yara, a disciplina da YAH não está apenas na produção dos sumos ou cocktails, mas também na capacidade de permanecer visível, criar ligação com o público e ocupar espaço na memória dos clientes.
Para Yara, a visibilidade também é parte essencial desse processo de crescimento. Plataformas como a Revista Negócios no Chiveve ajudam a dar espaço a empreendedores, marcas locais e histórias que precisam de ser conhecidas, valorizadas e apoiadas pelo mercado.
É nesta lógica que deixa uma mensagem às jovens mulheres que desejam transformar talentos e paixões em negócios sustentáveis: acreditar no próprio sonho, mesmo quando o apoio externo ainda não aparece. Para a empreendedora, muitas pessoas só começam a apoiar quando os resultados se tornam visíveis; por isso, é fundamental ter clareza, fé e compromisso com aquilo que se pretende construir.
“Nada é tão nosso quanto os nossos sonhos, e só nós podemos realizá-los. É importante perceber que nem todos à nossa volta vão partilhar da mesma visão. Muitas vezes, as pessoas começam a apoiar depois de tudo começar a dar certo”, afirma.
Para Yara, entregar os planos nas mãos de Deus não significa esperar passivamente, mas agir com disciplina, coragem e persistência.
“Entregue tudo nas mãos de Deus, e faça a sua parte”, aconselha.
Para fechar, Yara olha para o futuro com discrição, mas também com ambição. Sem revelar todos os planos, afirma que visualiza a YAH num patamar muito maior, como uma marca capaz de crescer, consolidar-se e orgulhar os moçambicanos, sem perder a essência criativa que a originou.
“Visualizo a YAH grande, muito maior do que é actualmente. Mas não gosto muito de dar spoiler do futuro. Vai acontecer muita coisa boa, que será motivo de orgulho para muitos moçambicanos”, afirma.
Mais do que expandir produtos ou serviços, Yara quer fortalecer a YAH como uma marca de experiências, identidade e memória. Por isso, resume o propósito da marca numa frase simples: “A YAH nasceu para marcar momentos.” A trajectória de Yara Cuembelo mostra que o empreendedorismo nasce, muitas vezes, da capacidade de observar o quotidiano com atenção e transformar necessidades simples em experiências diferenciadas. Com a YAH, a empreendedora prova que criatividade, consistência e identidade podem dar novo valor a um produto comum, tornando-o memorável para o público. Entre sumos naturais, cocktails e eventos, a marca afirma-se não apenas pelo que serve, mas pela forma como marca momentos, valoriza a inovação local e inspira outros jovens a acreditarem que, mesmo num mercado desafiante, é possível construir negócios com autenticidade, visão e propósito.
Num tempo em que cuidar do corpo deixou de ser apenas uma questão estética e passou a integrar uma nova forma de pensar saúde, disciplina e qualidade de vida, o sector fitness começa a ganhar espaço no empreendedorismo moçambicano. Entre ginásios, acompanhamento personalizado, nutrição e construção de marcas pessoais, surge uma nova geração de profissionais que procura transformar hábitos, mentalidades e estilos de vida.
É neste contexto que conversamos com Nélio Remane, empreendedor ligado ao universo do fitness e da nutrição, que recentemente deu um passo importante na consolidação da sua visão ao criar um espaço dedicado à transformação física e ao acompanhamento orientado para resultados. A sua trajectória cruza fé, disciplina, experiência profissional e paixão pelo desporto, elementos que hoje sustentam a forma como olha para o negócio e para o impacto que pretende gerar.
Nesta entrevista, Nélio Remane partilha o percurso que o levou a transformar a paixão pelo fitness num projecto empresarial, os desafios de empreender numa área em crescimento e a sua visão sobre o futuro da saúde, da nutrição e do bem-estar em Moçambique.
Residente na cidade da Beira, Nélio é um jovem cristão, empreendedor e apaixonado pela transformação humana. Mais do que trabalhar com treino físico e nutrição, vê a sua missão como um compromisso com a disciplina, a autoestima, a mentalidade e a qualidade de vida das pessoas. A sua trajectória foi construída com sacrifício, consistência e com a visão que Deus lhe tem concedido ao longo do caminho, como revelou:
“Comecei muito cedo no mercado de trabalho e passei por diferentes áreas profissionais, onde fui adquirindo experiência em vendas, atendimento ao cliente, gestão e empreendedorismo. Cada etapa contribuiu para formar a minha visão sobre pessoas, negócios e resultados. Paralelamente, o desporto sempre esteve presente na minha vida, e o fisiculturismo ensinou-me valores que carrego até hoje: disciplina, resiliência, foco, paciência e compromisso com objectivos concretos.
Com o tempo, compreendi que o fitness podia ir muito além da estética. Percebi que o treino e a nutrição têm o poder de restaurar a saúde, elevar a confiança e transformar a forma como uma pessoa se vê e se posiciona perante a vida. Acredito que Deus já tinha um propósito desenhado para mim e confiou-me a missão de ajudar pessoas a transformarem as suas vidas, não apenas fisicamente, mas também mental e emocionalmente.”
Inspirado pelo desporto, por atletas de alta performance e pela cultura de superação, Nélio começou a estruturar uma marca com propósito, focada em resultados reais e numa transformação mais completa. À medida que acompanhava pessoas de forma mais próxima, percebeu que o que parecia ser apenas treino, disciplina física e orientação nutricional podia tornar-se uma ferramenta capaz de mudar histórias, restaurar autoestima e melhorar a relação das pessoas consigo mesmas.
“Passei a ver o fitness como uma ferramenta de transformação completa. Não se trata apenas de ganhar massa muscular ou perder peso; trata-se de ajudar pessoas a recuperarem confiança, saúde, autoestima e controlo sobre a própria vida”, afirma.
Foi nesse processo que compreendeu que não estava apenas diante de uma oportunidade de negócio, mas de uma missão. Ainda assim, no início, a decisão mais difícil foi acreditar no projecto quando poucas pessoas conseguiam enxergar a visão que carregava.
“Todo empreendedor passa por momentos de dúvida, principalmente quando está a construir algo novo, quando os resultados ainda não são evidentes e quando muitas pessoas ao redor ainda não compreendem o caminho que está a ser seguido. Nesses momentos, é preciso ter convicção. Eu sabia que não estava apenas a criar um negócio, mas um projecto com propósito, capaz de transformar vidas através da disciplina, da saúde e da mentalidade. Aprendi que a visão vem antes do reconhecimento. Primeiro acreditamos, depois trabalhamos, e só mais tarde os resultados começam a confirmar aquilo que antes parecia apenas uma ideia.”
Para além da paixão pelo desporto, Nélio identificou lacunas claras no mercado fitness: desinformação, falta de acompanhamento profissional e ausência de estratégias personalizadas. Segundo ele, muitas pessoas treinam sem orientação adequada, seguem dietas extremas retiradas da internet e procuram resultados rápidos, sem compreender que a transformação física exige processo, disciplina e acompanhamento.
Foi a partir dessa leitura que nasceu a ideia de criar um ginásio diferente: mais profissional, organizado e centrado na experiência do cliente. Um lugar onde as pessoas não encontrassem apenas equipamentos, mas acompanhamento, estratégia, orientação nutricional e resultados reais.
“Eu queria um espaço onde as pessoas não fossem apenas treinar, mas viver uma experiência de transformação completa. Muitas entram num ginásio motivadas, mas acabam por desistir por falta de acompanhamento adequado, estratégia clara ou suporte emocional ao longo do processo”, explica.
O espaço criado por Nélio Remane nasce de uma visão mais ampla sobre saúde, bem-estar e transformação pessoal. A proposta diferencia-se por colocar o cliente no centro do processo, reconhecendo que cada pessoa tem um corpo, uma história, uma meta e um ritmo próprios.
Para Nélio, abrir o ginásio foi também um teste à sua visão empreendedora. O processo exigiu planeamento, investimento, coragem e capacidade de transformar desafios estruturais, financeiros e estratégicos em aprendizagem. Mais do que montar um espaço com equipamentos, era necessário criar uma experiência segura, organizada, sustentável e alinhada com a missão do projecto.
“Abrir um espaço fitness de qualidade exige muito planeamento, investimento e coragem. Não se trata apenas de encontrar um local e colocar equipamentos; é preciso pensar na experiência do cliente, na organização, na segurança, na qualidade do acompanhamento, na gestão dos custos e na sustentabilidade do negócio”, explica.
Do ponto de vista financeiro, o desafio foi garantir recursos para construir uma estrutura coerente com a visão da marca. Já no plano operacional, empreender em Moçambique exigi resiliência perante desafios burocráticos, logísticos e de mercado. Para Nélio, cada obstáculo serviu para fortalecer a sua capacidade de liderança, planeamento e gestão.
“No fim, percebi que abrir o ginásio não foi apenas construir um espaço físico. Foi construir uma visão, uma marca e uma missão. E isso exige coragem, fé, disciplina e compromisso com o propósito.”
Ao criar o seu próprio espaço fitness, Nélio Remane não procurou apenas abrir mais um ginásio. A sua visão era construir um ambiente com identidade própria, onde treino, nutrição, disciplina, acompanhamento e mentalidade funcionassem de forma integrada.
Para Nélio, a transformação verdadeira exige uma abordagem completa do corpo e dos hábitos. Não basta treinar com intensidade se a alimentação, a recuperação e o acompanhamento estratégico não estiverem alinhados com os objectivos de cada pessoa. Por isso, o seu projecto integra treino físico, orientação nutricional e monitoria como partes de um mesmo processo de mudança.
Esta visão surge também num momento em que a preocupação com saúde e bem-estar começa a ganhar espaço no quotidiano dos moçambicanos. O sector fitness deixa, gradualmente, de ser visto apenas como uma tendência urbana ou estética, passando a ser entendido como uma área ligada à saúde, à produtividade, à autoestima e à qualidade de vida.
“Hoje existe muito mais consciência sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. As pessoas começam a perceber que cuidar do corpo não é um luxo, nem algo ligado apenas à estética. É, acima de tudo, um investimento na saúde, na produtividade, na autoestima e na longevidade”, afirma.
Para o empreendedor, o sector fitness e wellness tem vindo a ganhar uma nova expressão em Moçambique, impulsionado por uma geração mais consciente sobre saúde, bem-estar, imagem, desempenho e qualidade de vida. Este crescimento representa não apenas uma tendência, mas uma oportunidade económica relevante para empreendedores que saibam aliar profissionalismo, inovação e impacto humano.
“Acredito que o mercado fitness em Moçambique ainda está numa fase inicial de expansão. Isso significa que existe um potencial enorme para crescimento, inovação e profissionalização do sector. Há espaço para novos serviços, novas abordagens, mais acompanhamento especializado e uma cultura mais forte de prevenção e promoção da saúde. Acredito que, nos próximos anos, o sector fitness e wellness poderá tornar-se uma das áreas mais fortes do país, desde que seja desenvolvido com profissionalismo, ética e inovação.”
Na sua visão, nos próximos anos, o fitness e o wellness poderão tornar-se áreas de grande relevância no país, desde que sejam desenvolvidas com ética, qualidade e compromisso com resultados reais. A receptividade do público desde a abertura do ginásio tem reforçado essa percepção.
“Sentimos que as pessoas se identificaram muito com a nossa visão, com a nossa metodologia de trabalho e com o compromisso que temos com resultados reais. Isso mostra que o mercado estava preparado para receber um projecto com uma abordagem mais séria, profissional e focada na transformação completa do cliente”, explica.
A adesão do público confirma, para Nélio, que existe espaço para propostas diferenciadas, que combinem qualidade, disciplina, nutrição, acompanhamento e excelência no atendimento.
“Para mim, isso é uma prova de que o sector fitness em Moçambique tem um enorme potencial, desde que seja trabalhado com profissionalismo, propósito e compromisso verdadeiro com as pessoas.”
Entretanto, esta expansão acontece num mercado ainda marcado por desinformação, promessas rápidas, dietas sem base técnica e métodos sem acompanhamento adequado, o que torna o sector desafiante para quem pretende empreender com seriedade. Para Nélio Remane, é precisamente neste contexto que a confiança se torna o principal activo de uma marca fitness.
Na sua visão, a credibilidade não se constrói com exageros, resultados artificiais ou promessas impossíveis, mas com conhecimento técnico, ética profissional e compromisso com transformações reais e sustentáveis.
“Construo confiança através de resultados reais, conhecimento técnico e honestidade com os clientes. Numa área onde existe muita desinformação, promessas exageradas e métodos sem fundamento, acredito que o mais importante é trabalhar com verdade e responsabilidade. Prefiro prometer menos e entregar mais. Não vendo ilusões nem resultados impossíveis”, afirma.
Por isso, considera fundamentais a disciplina, a liderança, a comunicação, a inteligência emocional, o conhecimento técnico e a visão estratégica. Para Nélio, empreender na área da saúde e do fitness exige muito mais do que gostar de treinar ou ter uma boa imagem física; exige compreender pessoas, orientar com clareza e assumir responsabilidade pelos resultados que se promete ajudar a construir.
“Empreender nesta área é unir propósito e responsabilidade, porque não estamos apenas a vender treino; estamos a participar na transformação da vida das pessoas”, explica.
Essa consciência também molda a forma como Nélio Remane encara a pressão de liderar um negócio. Para ele, empreender exige equilíbrio emocional, fé, disciplina e visão de longo prazo, sobretudo quando surgem incertezas, decisões difíceis e responsabilidades que testam a maturidade do empreendedor.
“Quando assumimos um propósito, somos obrigados a crescer, a amadurecer e a desenvolver capacidades que talvez nem soubéssemos que tínhamos. Por isso, vejo a pressão não apenas como peso, mas também como uma oportunidade de evolução pessoal, espiritual e empresarial”, afirma.
Na sua trajectória, a pressão deixou de ser apenas um obstáculo e passou a ser parte do processo de crescimento. Cada desafio tornou-se uma oportunidade para fortalecer a liderança, aprimorar a gestão e reafirmar o compromisso com a missão de transformar vidas através da saúde, da disciplina e do fitness.
Para Nélio Remane, a experiência no fisiculturismo não moldou apenas o corpo, mas também a forma de pensar, gerir e tomar decisões. A mesma lógica aplicada ao treino — consistência, foco, paciência e execução diária — tornou-se uma base importante para a gestão do seu negócio.
“O fisiculturismo ensinou-me organização, consistência, paciência e controlo emocional. No treino, aprendemos que nada acontece por acaso: cada resultado depende de rotina, foco, sacrifício e execução diária. Essa mesma lógica levo hoje para a gestão empresarial”, explica.
No seu entendimento, gerir uma empresa exige a mesma mentalidade de quem treina para evoluir. É necessário ter uma visão clara, definir metas, respeitar processos e manter constância mesmo quando os resultados ainda não aparecem.
“Aplico no negócio os mesmos princípios que aprendi no desporto. A gestão de uma empresa exige a mesma mentalidade de quem treina para evoluir: não basta ter motivação num dia; é preciso disciplina todos os dias.”
Para Nélio Remane, alcançar resultados consistentes não significa fazer tudo de forma perfeita, mas sim fazer o necessário com regularidade. A verdadeira transformação acontece quando a disciplina deixa de ser um esforço momentâneo e passa a tornar-se hábito; e, com o tempo, esse hábito transforma-se num estilo de vida.
Essa mesma abordagem é aplicada no acompanhamento dos clientes. Segundo Nélio, quando o entusiasmo inicial diminui, muitos começam a questionar se vale a pena continuar. É precisamente nesse momento que o acompanhamento se torna decisivo. Mais do que alimentar uma motivação passageira, o seu trabalho consiste em ajudar cada pessoa a construir compromisso, disciplina e uma mentalidade capaz de resistir aos dias difíceis.
“Mostro aos clientes que a transformação não depende apenas de motivação. A motivação é importante, mas oscila. Há dias em que a pessoa acorda motivada, com energia e vontade de treinar; mas também há dias em que o cansaço, os problemas pessoais, a ansiedade ou a falta de resultados rápidos fazem a pessoa querer parar. É nesses momentos que entra o compromisso”, afirma.
Para Nélio Remane, essa construção de compromisso também passa pela forma como comunica com o público. Num sector em que resultados, confiança e credibilidade são determinantes, a presença digital tornou-se uma extensão natural da marca. Mais do que mostrar imagens, as redes sociais permitem partilhar processos, conhecimento, consistência e proximidade com as pessoas.
“As redes sociais têm um papel muito importante no crescimento da marca, porque permitem transmitir resultados, conhecimento e proximidade com o público. Hoje, as pessoas querem ver evidências, querem perceber quem está por trás do serviço e sentir confiança antes de tomar uma decisão”, explica.
Na sua visão, a autoridade digital tornou-se essencial no mercado actual. As pessoas procuram confiança, credibilidade e identificação. Ao partilhar conteúdos educativos, resultados de clientes, rotinas, mensagens de motivação e orientações práticas, Nélio aproxima-se do público e demonstra que o seu trabalho tem base, método e propósito.
Por isso, encara as redes sociais como uma ferramenta estratégica para educar, inspirar, atrair clientes e consolidar a marca. Ainda assim, defende que essa presença deve ser usada com responsabilidade, mostrando a realidade do processo e não apenas resultados rápidos ou ilusórios.
Nessa mesma linha, pretende posicionar a marca, nos próximos cinco anos, como uma das principais referências em fitness, nutrição e transformação humana em Moçambique. A expansão faz parte da sua visão, mas deve acontecer com qualidade, propósito e responsabilidade.
“O crescimento faz parte da nossa visão, mas queremos crescer com qualidade, propósito e responsabilidade. Para mim, não basta expandir; é preciso manter a essência, a excelência e o compromisso com resultados reais”, afirma.
O futuro passa pela construção de um ecossistema mais completo, combinando treino, nutrição, performance, suplementação e acompanhamento especializado, de modo a responder às diferentes necessidades dos clientes.
“Queremos que as pessoas encontrem num só ecossistema tudo aquilo de que precisam para melhorar a sua saúde, transformar o corpo e desenvolver uma mentalidade mais disciplinada”, explica.
Mais do que crescer comercialmente, Nélio Remane quer construir uma marca reconhecida pelo impacto real na vida das pessoas.
“Quero que o meu projecto seja lembrado como uma marca que transformou vidas, elevou a consciência sobre saúde e mostrou que disciplina, visão e consistência podem mudar o destino de uma pessoa.”
Aos que desejam cuidar melhor da saúde, deixa uma mensagem simples: começar pelo básico e manter consistência. Para ele, pequenas mudanças diárias como — melhorar a alimentação, beber mais água, dormir melhor, caminhar, treinar com regularidade e cuidar da mente — podem gerar grandes resultados ao longo do tempo.
“A saúde é um investimento, não um gasto”, reforça.
Aos jovens que querem empreender, Nélio aconselha coragem e acção. O medo faz parte do processo, mas não deve impedir o primeiro passo.
“Comecem com aquilo que têm. Não esperem pelas condições perfeitas, porque muitas vezes elas nunca chegam. Uma ideia só ganha vida quando sai da mente e entra em acção.” Concluiu!
A trajetória de Nélio Remane mostra que o fitness pode ser muito mais do que treino físico: pode ser disciplina, saúde, negócio, propósito e transformação humana. Ao unir fé, visão empreendedora, conhecimento técnico e compromisso com resultados reais, Nélio representa uma nova geração de profissionais que olha para o bem-estar como oportunidade de impacto e desenvolvimento. A sua história reforça que, quando existe propósito, consistência e coragem para executar, um ginásio deixa de ser apenas um espaço de exercícios e passa a tornar-se um lugar onde vidas são reconstruídas, hábitos são transformados e pessoas redescobrem a confiança em si mesmas.
Dário Camal fala do seu percurso associativo e influência para mudanças a nível internacional
A vontade de fazer alguma coisa pelo bem-estar dos outros em momentos difíceis e transformar vidas é uma tarefa nobre. Foi desta necessidade de ajudar os outros que o nosso entrevistado do mês começou a trilhar seus passos em um mundo associativo e, actualmente, é um jovem de tamanha influência política e social a nível nacional e internacional. Dário Abdula Camal é a nossa figura em destaque e, nesta entrevista, fala do seu envolvimento em movimentos sociais, do seu contributo, dos seus sonhos e ambições e da estratégia de desenvolvimento socioeconómico do país.
Dário Camal nasceu no bairro Central na capital do país, Moçambique, e actualmente é jovem panafricanista, membro do primeiro e histórico Conselho da Juventude da Comissão da União Africana e enviado especial para a juventude africana apontado pelo Presidente da Comissão da União Africana para um mandato de 2 anos.
Entretanto, Camal tornou-se o mais jovem diplomata da história da Comissão da União Africana nos órgãos de decisão (Gabinete do Presidente da Comissão da UA), servindo e advogando os interesses da juventude africana (Carta Africana e Agenda 2063).
O mesmo faz parte de diversas plataformas internacionais importantes, como a Comissão Africana para o Desenvolvimento da Juventude (AYDEC), onde é Secretário-geral Continental e Representante de Moçambique. Foi ainda apontado pela realeza britânica para um mandato de 2 anos como presidente do Comité no Conselho da Juventude da Commonwealth (CYC), plataforma que engloba 1,3 bilhões de jovens.
O percurso do entrevistado da Revista de Negócios no Chiveve é longo, a fonte é ainda membro representante de Moçambique no Fórum da Cooperação da Juventude Islâmica em Istambul na Turquia (ICYF), membro da direção do fórum da Juventude Afro-árabe em Kartum no Sudão, antigo presidente e primeiro africano presidente da ISA (International Students Association Worldwide) de 2017-2020), maior plataforma de jovens académicos do mundo), É também representante de África na Agência Juventude dos BRICS para Energia (Oil and Gas).
Na Revista de Negócios no Chiveve, o entrevistado revelou que iniciou a sua carreira como activista social em 2006 quando o Paiol de Malhazine explodiu. A fonte diz que na altura acompanhou a explosão a partir da cidade, onde se encontrava a trabalhar, e que não imaginava a gravidade da situação até acompanhar os estragos pela televisão. Daí que depois de ver os estragos, Dário Camal juntou-se a alguns amigos seus para criar uma corrente de ajuda às vítimas.
“Quando cheguei a casa e vi na televisão, senti que tínhamos de fazer alguma coisa; aqui foi chocante. Felizmente, tinha amigos que pensavam como eu, que não éramos só amigos da juventude, e pensamos em fazer alguma coisa. Então foi por aí que ganhei aquela paixão porque nós nos unimos para mudar vidas e ajudar pessoas. Recolhemos comida e outros produtos básicos porque muitas das vítimas que haviam sido afectadas estavam em casa, e as próprias casas de outras estavam destruídas. Daquele movimento de amigos que para nós também era um divertimento comecei a ganhar aquela paixão e daí nunca mais parei”, revelou a fonte.
Soube a nossa equipe de reportagem que as actividades sociais desenvolvidas por Dario Camal foram aumentando e abrangendo outros beneficiários a nível nacional e internacional. A fonte conta-nos que tem desenvolvido as mesmas actividades a nível internacional em países como Etiópia, Serra Leoa, Djibuti, Rússia e Estados Unidos da América, entre outros pelo mundo fora.
Recuando mais um pouco para o início antes de viajar pelo mundo, o entrevistado conta que a UNICEF e a Cruz Vermelha formaram os primeiros movimentos mais organizados dos quais o mesmo fez parte como activista voluntário em 2007. No ano seguinte, o mesmo juntou-se à Organização da Juventude Moçambicana (OJM). Dário avançou que a educação que teve em casa o ajudou bastante a ser o que é hoje. Ele diz que os seus avós foram sua grande inspiração devido à sua forma de ser, carácter e personalidade de querer sempre ajudar os outros.
“Os meus avós eram pessoas que estavam sempre dispostas a ajudar mesmo que fosse para sacrificar um pouco deles. E eu cresci sempre a ver sempre estas acções de pessoas solidárias, de pessoas que se importavam e queriam o bem dos outros. Então esses gestos de meus avós eram bons e demonstravam que a gente poderia ser grande; às vezes não precisamos ganhar sempre dinheiro.Às vezes nem precisamos de fazer coisas muito grandes, coisas pequenas, pequenos gestos como ajudar seu vizinho, entre outras coisas, saber compartilhar”, disse a fonte.
Além de casa, a fonte revela que aprendeu a compartilhar também na escola onde estudava. “Até na escola cresci a ver pessoas que sempre se ajudavam e que queriam mais dar um pouco. Algumas delas eram financeiramente superiores aos outros, mas não se sentia isso quando nos sentávamos à mesa. Havia harmonia e equilíbrio total, e na minha família sempre foi assim também. Sempre vivemos em um espírito de união e isso fez toda a diferença e marca toda a diferença em uma história de vida”, realçou o entrevistado.
Actualmente, Dário Camal tornou-se um líder juvenil de sucesso a nível nacional e internacional naquilo que faz. Este segredou-nos que o segredo do sucesso reside na resiliência, no foco e na determinação no trabalho. A fonte defende que é preciso ter bastante foco e crença naquilo que fazemos para alcançar bons resultados desejados.
“Sucesso é relativo. Para mim, sucesso é ver os outros bem e felizes, a prosperarem ou ver os outros a trilharem seu caminho, a evoluírem. Ajudar o próximo sem olhar a quem, isso para mim é sucesso. Eu trilhei esse caminho porque quero deixar um legado, quero transformar vidas. Quero deixar meu contributo, no final, quero que as pessoas se lembrem de mim por tudo que tentei fazer para ajudar a humanidade, em factores e sectores de actuação”, disse Dário.
O mesmo vai longe explicando que espera que o mundo se lembre dele como alguém que batalhou bastante para o bem-estar dos outros. “Eu não vim de uma família rica ou bastarda; tive uma infância extremamente normal como uma criança normal do bairro central. Cresci lá perto do ponto final e de lá para o mundo, e para mim sucesso não tem muito a ver comigo, mas com aquilo que conseguimos incutir nas pessoas. Na quantidade que se inspira em nós, a quantidade de pessoas que seguem aquilo que dizemos. Dário não é uma pessoa perfeita; tem falhas, mas é uma pessoa batalhadora, sonhadora e que acredita”, acrescentou.
A fonte afirma ainda que para aqueles que buscam realizar-se, não basta apenas sonhar. É que só sonhar é um manifesto curto e insuficiente para aquilo que queremos fazer. O mesmo defende ainda que se deve fazer mais do que se sonha, se deve batalhar e seguir os sonhos e que não há outra forma de ganhar na vida a não ser essa.
“Eu tento fazer o que é possível fazer dentro de uma sociedade, no contexto onde vive e em circunstâncias em que vive. E a melhor coisa a se fazer é batalhar sempre e tentar honrar os meus avós. Penso muitas vezes neles e naquilo que fariam ou me diriam para fazer. Tento sempre buscar entre a razão, o que é certo, o que é errado; tento sempre buscar esse equilíbrio mental”, disse.
Entretanto, actualmente o nosso entrevistado faz parte de grandes organizações nacionais e internacionais. A Revista de Negócios no Chiveve quis saber do nível de contributo destas organizações no desenvolvimento de Moçambique. Apesar do país ainda não estar a aproveitar como deve ser as oportunidades, a fonte diz que os ganhos são enormes e já se começam a ver mudanças significativas em termos de influência política e socioeconómica.
“Muitas destas organizações têm poder e uma capacidade financeira que deve ser diplomaticamente muito bem explorada e estruturada. Organizações como a União Africana, por exemplo, podem ter um papel de relevo na situação actual de Cabo Delgado. Organizações como a SADC, onde também sou líder agora, podem ter um papel muito relevante sobre a situação socioeconómica e juvenil, mesmo em nível de empregabilidade a nível da região”, explica a fonte.
Entretanto, Dário Camal diz ainda que este contributo só é possível se o governo tiver um interesse ou estiver preparado para fazer essa conexão. Defendendo que é preciso fazer um acompanhamento porque quanto mais essas organizações são, mais burocráticas são.
“Mas uma vantagem é muito boa fazer parte. Primeiro, porque é a nossa imagem e bandeira que está lá; segundo, nós temos que levar a imagem positiva do nosso país para esses lugares. E depois, obviamente, politicamente, manter um poder de influência para se decidir em nosso favor. Cada país que vai lá representa um pouco da juventude da sua nação, e apesar de termos algumas dessas organizações connosco, acho que ainda falta um nível de maior interação porque há muitos ganhos em termos de conhecimento, abertura de oportunidades para a juventude”, disse a fonte.
Camal diz ainda que Moçambique ainda “é um país que se comporta como ilha” e está isolado daquilo que pode ser o foco dessas organizações. Por outro lado, a fonte diz que é um orgulho para essas organizações ter lá um moçambicano devido ao seu nível de influência dentro delas.
“Quando vês jovens de outros países, por exemplo, do Canadá, a entrar em contacto com um moçambicano dentro da organização, consegues ver o nível de influência que esse moçambicano tem. E isso enche-me de orgulho e de prudência porque é um momento de fazermos o nosso lobby para influenciar aquilo que queremos a nosso favor como nação, não descurando as relações diplomáticas, a agenda colectiva internacional e os compromissos que a juventude tem dentro dessas organizações”, explica o jovem.
Ainda na onda do contributo destas organizações sociais para o país, a fonte mencionou que na União Africana, um dos contributos é a “Carta da Juventude Africana”, que é o maior instrumento jurídico da história da juventude africana. De acordo com o entrevistado, se este instrumento for bem explorado, obrigará o governo a criar políticas específicas para a juventude, pois o governo moçambicano assinou e ratificou esta carta.
“Este documento tem poder, e a nossa missão é levar o mesmo para o conhecimento dos jovens para que eles saibam quais são seus direitos e deveres. Isso é só mais um de tantos exemplos das organizações de que faço parte e do real poder que elas têm sobre nós. Não é só o poder socioeconómico, é também político e diplomático e, mesmo de cooperação e expansão daquilo que é a marca Moçambique enquanto nação”, acrescentou a fonte.
Em termos de aproveitamento das oportunidades como nação, Dário Camal afirma que não estão sendo exploradas como deveriam. “Se olharmos como moçambicanos, na minha pessoa em termos de representatividade, digamos que há um bom aproveitamento”, conta a fonte.
O mesmo vai mais além explicando que, “Se forem a visitar o meu website na parte de oportunidades, irão perceber que muitas das oportunidades tenho sempre partilhado. Tenho estado a colocar muitos jovens em programas de treinamento a nível internacional, onde os jovens líderes nacionais vão se juntar a outros líderes. Já estou a fazer isso com nosso próprio auto financiamento, e isso é bonito porque é a juventude a fazer as coisas acontecerem”, disse.
A fonte aponta ainda a situação de Cabo Delgado, onde diz que se denunciou a nível internacional, e que a juventude fez o seu trabalho a nível internacional para esta situação. Actualmente, a juventude continua dando seu contributo, buscando parceiros que ajudem a encontrar soluções sem violar o poder enquanto país.
“E isso é importante para nós porque Moçambique é um país independente, mas não pode se comportar como uma ilha; nós precisamos uns dos outros em nível de cooperação; há muitos ganhos que podemos tirar de outros países e há ganhos que outros podem tirar connosco. Mas falta uma maior colaboração ou interação entre o próprio governo de Moçambique relativamente a isso e a forma como nós olhamos de verdade a juventude, não marginalizando a juventude”, disse Camal.
Na Revista de Negócios, o entrevistado deixou um conselho aos jovens moçambicanos. Este afirma que os jovens nunca devem desistir, trabalhar mais e tentar sempre ser perfeccionistas. “Trabalhar mais e tentar melhorar em termos de empregabilidade. Formarem-se, manterem um foco e uma determinação na vida: isso é mais importante na vida. Portanto, não abdicarem e não venderem seus morais, cívicos, éticos e de cidadania. É muito importante ser um bom profissional quando nós estamos organizados mentalmente; independentemente das dificuldades, nós alcançamos as nossas metas”, avançou a fonte.
Importa realçar que, Dário Camal conta com dois livros seus recém-lançados em Maputo. De acordo com o mesmo, trata-se de duas obras e um propósito. Conta que os livros foram produzidos com o intuito de arrecadar fundos para apoiar as famílias vítimas de ataques em Cabo Delgado. “Fizemos os livros com o intuito de ter um produto que as pessoas pudessem comprar e, ao mesmo tempo, se deliciarem com a leitura, aumentando a nossa cultura em termos de conhecimento e, ao mesmo tempo, ajudar Cabo Delgado; é uma bala para matar dois coelhos”, disse a fonte.
Entretanto, um dos livros, intitulado “Amor Incondicional”, é um romance que retrata uma história que se desenrola em Cabo Delgado. Enquanto a outra obra, é intitulada “Forma secreta do Sucesso”, segundo o autor é uma visão para a juventude. “É um livro para inspirar a juventude; é um livro para ajudar jovens moçambicanos como eu que tiveram dificuldades como eu, mas que podem vencer. Também é uma autobiografia, minha história de vida, e mostra o caminho que eu tive que percorrer para chegar onde cheguei”, disse o autor.
As duas obras foram lançadas no início do mês de Abril. Trata-se de uma produção nacional em que esteve envolvida na produção apenas uma equipe jovem. Os parceiros também foram empresas lideradas por jovens, e este envolvimento massivo e completo de jovens apenas, segundo a fonte, era uma forma de mostrar que a juventude é capaz de resolver seus problemas.
De destacar que, Dário Camal conta com vários prémios a nível Internacionais e destaque tais como, LYONS Mahatma Gandhi Award 2020, Bangladesh Global Youth Awards 2020, Pan African Youth Foundation 2020, 100 Most Influent Young Leader, 100 Most influential Young Leaders 2018 under 35 years according with UK Government, MIPAD Most influent Person African Descend 2019 according to United Nations. African Young Achiever of the Years 2018/2019, Afro-Arab Young Leader of the Year 2018. Afro-Arab Young Leader of The Year 2019, Qatar Youth Awards 2019, Pan African Youth Achieve of the Yeard 2018/2019, Sustainable Development Goals Awards 2016/2017/2018/2019, Red Diplom for best student abroad 2015, 2019 Ten Young African Changemakers by YouthhubAfrica, 2018 List of Formidable Man Leading Change, 2017 Young Talent Of The Year By UNLEASH e 2016 Listed in 100 under 40 Most Influential Afro-Arabs in the world.
Entretanto, o lado empreendedor de Dário é também notório. Aos 19 anos e com meios próprios adquiridos do seu trabalho na Banca, fundou o Grupo de Investimentos DCI, e os ramificou em diversas áreas, gerando dentro do grupo 5 outras empresas com serviços na área de consultorias, finanças, entretenimento, importações e aluguer de veículos de luxo, área de construção e imobiliária, gráfica, produtos e insumos agrícolas e maquinaria, e aos 22 anos estendeu e internacionalizou o seu negócio ainda como estudante para a África do Sul, Sudão, Tunísia, EAU, Rússia, Turquia, França, Itália, Estados Unidos e Reino Unido.